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Gás intoxicou 40 pessoas em fábrica

Cerca de 40 pessoas foram intoxicadas, no início da manhã de ontem, após terem inalado gás amônia durante um acidente na empresa de pescado Ecomar, localizada no município de Vigia, nordeste do Pará. De acordo com os funcionários, o vazamento de gás ocorr

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Cerca de 40 pessoas foram intoxicadas, no início da manhã de ontem, após terem inalado gás amônia durante um acidente na empresa de pescado Ecomar, localizada no município de Vigia, nordeste do Pará. De acordo com os funcionários, o vazamento de gás ocorreu por volta das 7h, em uma das unidades de congelamento da empresa. “Foi tudo muito rápido. Em questão de segundos, uma fumaça toda branca e com cheiro forte invadiu nosso setor e todo mundo começou a passar mal. Teve gente que não aguentou e desmaiou ali mesmo, foi um pânico geral na fábrica”, revelou uma funcionária que prefere não ter o nome divulgado.

Segundo técnicos da empresa, que possui 300 funcionários, o acidente aconteceu após o rompimento de um tubo responsável por levar refrigeração para a sala frigorifica da fábrica. “Apesar do susto, os dois quilos de gás amônia que vazou no local não se espalhou por toda a sala e tudo foi controlado em menos de 20 minutos. Todos os funcionários infectados foram levados para o hospital e, pelo que foi informado, não teve nenhum caso muito grave”, afirmou Manuel Meireles, encarregado de refrigeração da empresa.

Somente na unidade de saúde do município, 35 pessoas foram atendidas com falta de ar, dor de cabeça e aceleração dos batimentos cardíacos, após terem inalado o gás, que é considerado altamente tóxico. “A inalação de amônia é muito prejudicial para o ser humano e, se não for medicado a tempo e com as recomendações médicas adequadas, o paciente pode ir a óbito em questão de segundos. Com a inalação, o pulmão se fecha e o gás pode atingir rapidamente todo o sistema circulatório”, explicou o médico Wellington dos Santos, responsável pelos primeiros socorros às vítimas.

Segundo o médico, os casos mais graves foram de uma paciente com úlcera, uma asmática e outra com epilepsia, que tiveram de ser encaminhadas imediatamente para unidades de saúde da capital do Estado. “Com a inalação do gás, a paciente que sofre de epilepsia teve crise instantânea, já que a amônia entrou em contato com o corpo e o sistema nervoso acabou sendo alterado de forma muito rápida, atingindo o cérebro da mulher”, revelou o médico.

Dos 35 funcionários que foram atendidos na unidade de saúde de Vigia, 18 foram encaminhados para unidades de emergência da Grande Belém, como o Pronto Socorro da 14 de Março e o Hospital Metropolitano, em Ananindeua.

O número exato de trabalhadores intoxicados não foi confirmado pela empresa nem pela equipe médica do munícipio, pois, segundo o médico responsável pelo atendimento, algumas pessoas foram liberadas do hospital sem ter o nome registrado na unidade. “Alguns pacientes foram liberados após os primeiros socorros e tiveram que retornar horas depois apresentado sintomas mais graves. Devido a isso, foi ordenado à empresa que todos eles tenham acompanhamento médico. A inalação da amônia provoca sequelas graves, que muitas vezes não são diagnosticas logo após o acidente”, ressaltou o doutor Wellington.

Funcionários denunciaram que os trabalhos da Ecomar continuaram sendo realizados, mesmo após o isolamento do Corpo de Bombeiros. Em relação à liberação do trabalho no local, o encarregado pela refrigeração disse que os funcionários só voltaram a trabalhar porque o Corpo de Bombeiros realizou vistoria e liberou o funcionamento da empresa.

O DIÁRIO tentou contato com a assessoria de comunicação do Corpo de Bombeiros para comentar o caso, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

Trabalhadores denunciam que houve mais vazamento

Segundo Vanusa Barros, que trabalha no setor de embalagens de pescados, à tarde, um novo vazamento de gás atingiu os funcionários. “Aconteceu a mesma coisa e vários funcionários passaram mal após inalar o gás tóxico”, revelou a mulher, que foi internada na unidade de saúde do município. Outra pessoa, que prefere não se identificar, afirmou que este não é o primeiro acidente com gás na fábrica. “Quem trabalha há mais tempo lá, sabe que esse não foi o primeiro acidente que ocorreu, que não usamos nenhum tipo de equipamento de segurança”, revelou.

A empresa não comentou as denúncias e disse que prestou todo apoio necessário aos trabalhadores. A Ecomar informou que das 18 pessoas que precisaram ser transferidas para Belém, 17 foram liberadas e retornaram para Vigia ontem. Apenas uma funcionária continua em observação. O delegado Evandro Araújo, de Vigia, informou que vai instaurar inquérito para apurar o caso.

(Diário do Pará)

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