Faixas ostentando “Temos vagas” em frente a escolas públicas têm se tornado uma rotina em Belém. O fenômeno vem acontecendo principalmente nas escolas que ficam localizadas nos bairros centrais da cidade. De acordo com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), 100 mil matrículas de novos alunos já foram confirmadas, o que equivale à metade das vagas disponibilizadas desde o início de janeiro.
A vice-diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Deodoro de Mendonça, Heliana Teles, conta sobre a dificuldade de formar turmas que a escola vem enfrentando. “Estamos acostumados a trabalhar com 22 turmas no mínimo. Hoje estamos fechando apenas uma por série, o que não é comum”, conta. A expectativa da Seduc é que o número de matriculados chegue ainda a 130 mil, mantendo a média de alunos novos que ingressam na Rede Estadual a cada novo ano letivo.
Segundo o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), William Silva, o que acontece é a procura maior pelas escolas da periferia da Região Metropolitana de Belém. “Os pais preferem matricular seus filhos nos colégios da periferia exatamente pelo custo do deslocamento e a demora a chegar lá. Passagem de ônibus cara e engarrafamento dificultam essa chegada dos alunos”.
Essa evasão das escolas do centro atinge os professores e provoca um inchaço. “Essas escolas de periferia não estão passando por qualquer tipo de reforma para se ajustar a essa demanda de alunos, o que pode influenciar na qualidade do ensino”, explica o coordenador.
A Seduc explica que houve, na verdade, a melhoria da qualidade de ensino das escolas localizadas nessas áreas consideradas periféricas.
De acordo com a secretaria, as unidades de ensino passaram a ofertar e receber programas, projetos e recursos estaduais e federais como o Mais Educação, Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), além de também contarem com laboratórios de informática e outros espaços pedagógicos diferenciados.
Assim, os professores sairiam prejudicados. “Com essa evasão os professores perdem carga horária, ou seja, perdem turmas. Quanto menos turmas, menor o salário deles. Então, o professor é um dos mais afetados, mesmo que indiretamente”, conclui William Silva.
O início das aulas na rede estadual está previsto para o dia 18 de março. Algumas escolas que possuem o Convênio, último ano a ser cursado pelo aluno para prestar o vestibular, não sofreram as consequências. A vice-diretora da Escola Estadual Ulysses Guimarães, Mônica, explica que estão lotados. “Já fechamos todas as turmas. Felizmente, acredito que seja pelo resultado do vestibular, onde aprovamos muitos alunos, e deu uma boa publicidade ao colégio”.
William Silva afirma que a modalidade convênio-vestibular também é um grande atrativo. “Em alguns colégios, como no Pedro Amazonas Pedroso, tentaram tirar essa série. Isso pode até causar uma saída dos alunos para os colégios particulares”, explica.
(Diário do Pará)
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