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Poucas escolas possuem bibliotecas

Antes mesmo que a pergunta seja finalizada, os dedinhos eufóricos já se levantam o mais alto possível, sacudindo no ar a afirmação positiva. “Quem gosta de vir na biblioteca?”, questiona-se. “Eu!”. A resposta é gritada de imediato. Há alguns passos da sal

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Antes mesmo que a pergunta seja finalizada, os dedinhos eufóricos já se levantam o mais alto possível, sacudindo no ar a afirmação positiva. “Quem gosta de vir na biblioteca?”, questiona-se. “Eu!”. A resposta é gritada de imediato. Há alguns passos da sala de aula tradicional e já nas mesas e cadeiras organizadas em volta das estantes repletas de livros é na biblioteca que as crianças exercitam o próprio poder de escolha. Sem que nada seja imposto, cada um se dirige à prateleira eleita e, com a atenção serena vista poucas vezes em crianças de apenas oito anos de idade, seleciona a leitura que mais interessa.

Na volta do intervalo, apesar da experiência apontar muito mais um momento de diversão, a orientação da professora não deixa esquecer o local onde se está. É no espaço instalado dentro da Escola Francisco da Silva Nunes, que os alunos têm a oportunidade de pesquisar e ler fora do horário escolar. “Quando eles estão na biblioteca têm a oportunidade de buscar o que é mais atrativo para eles e isso é estimulante”, avalia a professora do 3º ano do ensino fundamental, Liane Araújo. “É muito importante termos bibliotecas dentro da própria escola especialmente quando se trata de crianças porque dificultaria se tivéssemos que sair para uma biblioteca pública sempre que tivéssemos que fazer uma atividade. Deveriam ter bibliotecas em todas as escolas”.

Apesar da importância atestada por quem, diariamente, vivencia a educação, nem todas as escolas paraenses dispõem do espaço tão importante para o aprendizado. De todas as escolas existentes no Pará em 2011, apenas 14,5% possuíam bibliotecas. Pelo menos é o que atesta o levantamento realizado pelo movimento ‘Todos Pela Educação’ com base no Censo Escolar de 2011.

Contemplando escolas de educação especial, educação infantil, educação de jovens e adultos, ensino fundamental, ensino médio e educação profissional, a realidade preocupante é apontada não apenas no Pará, mas também em todo o Brasil. De acordo com o levantamento, no país, 128.020 bibliotecas ainda precisariam ser construídas para que todas as instituições de ensino - tanto da rede pública, quando provada – disponibilizassem o espaço. Em termos percentuais, apenas 33,7% das escolas brasileiras possuem bibliotecas.

PREOCUPAÇÃO

Seguindo a realidade nacional, o cenário mais preocupante também no Pará, quando se avalia a rede pública de ensino, são as escolas municipais. Com 10.202 escolas municipais em todo o Estado e apenas 818 escolas com bibliotecas, de acordo com o levantamento, o percentual de escolas municipais que possuem o espaço destinado à leitura chega a apenas 8% do total.

Quando se trata especificamente de Belém – apenas um dos 144 municípios paraenses - porém, o cenário alarmante é questionado pela Secretaria Municipal de Educação (Semec). Ciente da pesquisa e dos dados apresentados, a coordenadora do sistema de bibliotecas escolares da Semec, Silvia Fernandes afirma que – ao que se refere às escolas municipais de Belém – a realidade é bem mais satisfatória. “Estamos construindo bibliotecas desde 2006 e chegamos em 2012 com quase 100% das bibliotecas”, aponta. “Foram construídas 34 bibliotecas escolares e 40 foram revitalizadas. Temos apenas cinco escolas que estão faltando bibliotecas. Cada biblioteca da educação infantil, por exemplo, tem mais de 500 livros”.

OSCILAÇÃO

Apesar de apresentar uma estatística mais ‘recheada’, a situação das escolas estaduais também inspira atenção. Das 961 escolas estaduais existentes no Pará em 2011, apenas 500 possuíam bibliotecas, o correspondente a 52% do total. De acordo com a coordenadora do sistema estadual de bibliotecas escolares da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Hellen Anjos, atualmente, esse percentual pode ser ainda menor. “Temos em torno de 500 bibliotecas e, hoje, isso chega a 45% das 1.020 escolas que temos”, afirma ao atualizar os dados. “Esses dados oscilam de ano para ano porque, às vezes, uma escola acaba precisando usar o espaço da biblioteca como sala de aula, para outras atividades”.

Com a informação de que 10 bibliotecas foram revitalizadas no ano passado, a coordenadora explica que a construção de novas bibliotecas nas escolas da rede estadual depende, ainda, da construção ou revitalização das próprias escolas. “A construção de bibliotecas faz parte de um projeto de escolas que estão sendo construídas ou revitalizadas. A construção de novas bibliotecas anda em conjunto com a rede física das escolas e, neste ano, dependerá da previsão de revitalização ou construção de escolas”.

Alunos têm “espaços do saber” como aliados

No mesmo espaço destinado à pesquisa e à leitura - na biblioteca Arthur Viana, do Centro de Convenções Tancredo Neves (Centur) - as duas situações apresentadas aos alunos da rede estadual são expostas. Já tendo passado por quatro escolas ao longo de sua vida estudantil – todas equipadas com bibliotecas próprias -, a estudante do terceiro ano do ensino médio de uma escola pública estadual, Maiane do Rosário, tem o privilégio de encontrar uma biblioteca dentro do próprio espaço onde estuda. Preocupada com as provas do vestibular que pretende prestar no final do ano para o curso de radiologia, ela não esconde a importância que a biblioteca do colégio possui em sua preparação. “Ter uma biblioteca dentro da escola facilita muito para o aluno. As pessoas estudam, geralmente, pelo computador, mas estudar pelos livros é bem diferente”.

Mesmo com o espaço dentro da escola que frequenta todos os dias no período da noite, a estudante também dedica dois dias na semana para ir à biblioteca pública pesquisar sobre assuntos que não fazem parte do acervo da biblioteca do colégio. “Estou estudando a língua coreana e aqui [na biblioteca do Centur] tem muito material”, afirma.

Enquanto a motivação que leva Maiane à biblioteca do Centur pelas manhãs é o interesse por um livro que não consta na biblioteca do colégio onde estuda, no caso do estudante da 6ª série Jackson Guerreiro, a necessidade fala mais alto. Sem biblioteca na escola estadual onde estuda, ele precisa ir às bibliotecas públicas para pesquisar. “É ruim porque fica longe da escola [a biblioteca pública]. Seria muito melhor se tivesse uma biblioteca dentro da própria escola”.

(Diário do Pará)

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