Quando o atendimento para o recadastramento no programa Bolsa Família ainda nem havia iniciado na Secretaria de Cidadania, Assistência Social e Trabalho de Ananindeua no início da manhã de ontem, a fila que se formava na Rua Júlia Cordeiro e em parte da Rodovia BR-316 já assustava. Sem que uma fila muito exata fosse identificada, o que se percebia era apenas um grande aglomerado de pessoas e certa confusão.
Na fila das pessoas que já haviam conseguido uma senha de atendimento no dia anterior, a dona de casa Natalina Pantoja ainda tinha dúvidas se conseguiria solucionar de forma definitiva sua situação. “Quinta eu já não fui atendida, na segunda também não. Na terça o sistema estava fora do ar. Ontem [quarta-feira] eu era a 12ª da fila, estava quase pra ser atendida e disseram que o sistema estava fora do ar. A gente fez confusão e aí que deram a senha e agendaram para a gente vir hoje”, adiantou. “Deixei minhas duas filhas no colégio, elas saem 11h30 e não sei se eu vou conseguir sair a tempo de pegar elas no colégio. Isso tinha que ser feito por bairro”.
Tendo que deixar o filho também aos cuidados de outras pessoas, a estudante Cleiziane Silva também não estava na fila pela primeira vez. “Eu cheguei 4h30 pra ver se conseguia ser logo atendida. Ontem [quarta-feira] eu tive que sair daqui 22h pra conseguir pegar essa senha pra ser atendida hoje”, afirmou. “Espero que eu possa resolver tudo hoje, tive que deixar o meu filho na casa do meu irmão pra ver se eu resolvo”.
Sem a mesma vantagem de Cleiziane, que já havia conseguido agendar o atendimento para ontem, a doméstica Raimunda das Graças, de 60 anos, ainda estava mais longe de resolver o recadastramento dos quatro netos. Desde às 5h no local, a senhora ainda precisava aguardar em pé na fila da prioridade que já chegava quase ao tamanho da fila comum. “Não tem organização. É pra cá, pra lá e a gente fica sem direção. Sem saber qual é a fila mesmo”, desabafou. “A gente fica aqui esperando que Deus encaminhe porque a desorganização é muito grande”.
CONFUSÃO
Como se não bastasse o aglomerado logo o início do dia, foi no momento do início do atendimento que uma pequena confusão foi percebida. Enquanto as pessoas que já haviam agendado o atendimento no dia anterior entravam na secretaria, a grande maioria, que não possuía senha, reclamou aos gritos. Passado o momento de maior aglomeração, funcionários da secretaria começaram a agendar o atendimento dos que ainda aguardavam nas filas. “Eu tô desde 23h de ontem e hoje já fiquei sabendo que só vou conseguir pegar uma senha porque vai ser agendado pra outro dia. Aí depois vou ter que enfrentar mais uma fila pra ser atendido”, reclamou Marcos de Melo, que buscava o benefício para a filha. “Tem muita gente aqui que está desde ontem que eu vi”.
“Eu já dei mingau pra minha filha sentada aqui nesse chão”, desabafava a dona de casa Maria Souza, com a filha Thayane, de sete meses, no colo. Ontem eu já vim e não consegui atendimento, hoje vou ter que agendar. Eu já não tenho mais dinheiro pra ficar pegando ônibus”.
PRAZO ESTENDIDO EM ANANINDEUA
A Prefeitura de Ananindeua informa que estendeu o prazo para atendimento aos usuários por tempo indeterminado e todas as pessoas que tiveram seus nomes anotados a fim de evitar que essas ficassem nas filas sem necessidade serão atendidas conforme agendamento, sem exceção.
A prefeitura diz ainda que houve uma pane no sistema do Ministério do Desenvolvimento Social em todo o Brasil, o que ocasionou o não atendimento na última terça-feira.
Atualmente, 37.096 pessoas estão cadastradas no Bolsa Família no município. Dúvidas sobre o recadastramento podem ser esclarecidas junto à Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Trabalho, SEMCAT, pelo telefone 3255-0906.
Em Belém, fila deu voltas no quarteirão
O atendimento começou cedo em Belém no último dia de recadastramento do Bolsa Família. Mesmo assim, na Fundação Municipal de Assistência ao Estudante (FMAE), na passagem Maria das Graças, da rodovia Augusto Montenegro, a fila estava dando voltas no quarteirão. Em Belém , o Bolsa Família é financiado pelo governo federal através do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) e é gerenciado pela prefeitura do município por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa).
A presidente da Funpapa, Nilda Paula, conta que a expectativa era que 4 a 5 mil pessoas passassem pelo local. “Infelizmente temos essa fila enorme porque as pessoas estão confundindo o prazo. Hoje é o último dia para quem teve o benefício bloqueado. Quem tentou usar o cartão e recebeu um aviso de ‘bloqueado’ ou de ‘deve fazer o recadastramento’ é que deveria estar aqui”, esclarece.
Na fila, algumas pessoas estavam preocupadas que o prazo fosse para outras alterações relacionadas ao benefício. Marília Almeida comenta que todo dia é a mesma fila: “E só nos encaminham para esse posto. Eu quero só mudar o cadastro da escola do meu filho”.
Para eventualidades como essa, Nilda Paula explica que essa mudança de endereço pode ser feita na hora de apresentar a lista de frequência do estudante. “Até a segunda-feira estava tudo normal, deveríamos atender uma média de 15 mil famílias que precisavam fazer o recadastramento. Agora, quase todas as 85 mil que são atendidas em Belém estão vindo até aqui, preocupadas”, conta.
Quem foi até a FMAE e não pediu logo informação precisou esperar na fila para saber que deveria ir até outro lugar. A estudante Simone Silva foi tentar entrar no programa: “É a primeira vez que procuro, porque vou precisar agora que meu curso na Ufra é em tempo integral”.
Ela reclamou da falta de informação no próprio posto de atendimento. “Perguntei para uma das atendentes sobre o primeiro cadastro e ela me disse que não era ali. Ela não soube me informar quando que eu vou poder fazer e mesmo no site eu não encontrei essa informação. Aí fica difícil se não tem nem um papel com esses dados para quem está perdido”, ressalta.
DOCUMENTOS
Para fazer o recadastramento, os beneficiários precisaram levar os mesmos documento exigidos no primeiro cadastro: um documento de identificação civil para cada um dos membros da família, sendo que o responsável deve levar o Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou o Título de Eleitor.
Lembrando que participam do programa as famílias de baixa renda, ou seja, as que possuem renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo e renda familiar mensal de até três salários mínimos.
(Diário do Pará)
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