O casarão onde funciona a sede Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac) foi evacuado ontem, às pressas, por conta do risco de desabamento. Na última quinta-feira, 28, o forro do primeiro pavimento caiu e agora é o telhado que ameaça vir abaixo a qualquer momento. A estrutura de madeira está tomada por cupins. As paredes apresentam infiltrações e a instalação elétrica está comprometida.
Ainda não se sabe o grau do risco de desabamento, mas, por precaução, os usuários do espaço já retiraram as máquinas de costura, móveis, arquivos e os documentos. A Defesa Civil Municipal e o Corpo de Bombeiros foram acionados para fazer uma avaliação. Uma campanha será lançada a fim de arrecadar fundos para a reforma do prédio, pois o Gempac não tem recursos para as obras.
O casarão antigo, localizado na travessa Padre Prudêncio, no bairro da Campina, é tombado pelo Patrimônio Histórico. Atualmente funciona como sede de um dos mais importantes movimentos femininos da região amazônica. No Gempac são realizadas oficinas de capacitação, formação e informação sobre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e Aids.
Estarrecida pelo incidente, a presidente do Gempac, Lourdes Barreto, contou com ajuda de amigos para desocupar o prédio. “Toda a memória do Gempac está aqui. Ficamos sem sede”, lamentou.
Havia apenas um eletricista no casarão quando o forro desabou, no último dia 28, mas ele saiu ileso do acidente. “Toda a instalação elétrica está comprometida e nós mandamos trocar. Quando o forro caiu a gente estava fora da sede, realizando uma oficina de formação”, relatou Lourdes.
PROBLEMAS
Há cerca de um ano que as mulheres do Gempac têm chamado atenção para os problemas que elas enfrentam para manter a sua sede. “Passamos quase cinco anos sem água e um engenheiro nos avisou da parte elétrica, corremos atrás de doações para conseguir trocar as instalações, quando ia começar, o forro desaba”, apontou a presidente do Gempac.
Com a queda do forro, foi possível enxergar o nível de deterioração da estrutura do telhado, cuja parte de madeira foi tomada por cupins. As paredes estão com infiltração e quando se caminha pelo pavimento superior tudo treme a cada pisada. A umidade no local favorece a presença de mofo.
Alguns pedaços de pernas-mancas foram doadas para que um escoramento fosse feito para evitar novos desabamentos até que a reforma seja feita.
Lourdes lembrou que no andar superior tinham seis quartos que foram demolidos há alguns anos. “É uma construção muito antiga e precisamos de ajuda para reformar, pois não há dinheiro no caixa”, desabafou Lourdes.
(Diário do Pará)
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