Barras de ferros, canos e até mesmo pedaços de árvores são usados por moradores em diversas ruas da capital a fim de diminuir o tráfego de veículos. De um lado estão os moradores que cansados dos transtornos causados resolvem por conta própria improvisar a segurança do trânsito em uma determinada área. Do outro lado estão os condutores de veículos que se sentem prejudicados e ficam com a sensação de terem o direito de ir e vir em locais públicos comprometidos.
De acordo com a presidente da Associação dos Moradores do Conjunto Costa e Silva, Sonia Rescinho, o fluxo de veículos quase que triplicou após o fechamento dos retornos próximo ao local. A partir de então todo tipo de veículo passou a trafegar pelas vias do conjunto.
O que teria motivado a população a fechar com barras de ferros quatro ruas do conjunto habitacional. “Teve tempo que passava caminhão, carreta, ônibus intermunicipal em uma área que não foi planejada pra suportar esses tipos de veículos”, conta. “Por conta desse tráfego intenso de carros pesados um buraco foi aberto e a cada dia se torna uma cratera. Pode até desabar o apartamento”, alerta a presidente da associação.
Para os condutores a medida só prejudica ainda mais o trânsito. “O espaço fica reduzido e dificulta a locomoção dos veículos, principalmente quando o motorista ainda é inexperiente, o que pode causar até mesmo um prejuízo”, conta a funcionária pública Hitmy Noguchi que teve que passar com cuidados entre as barras de ferros.
PROCESSOS
No bairro da Condor a realidade não costuma mudar. Entre uma travessa e outra as passagens e alamedas quase sempre possuem os pontos de redução de velocidade. Na passagem Felicidade entre as Travessas Timbó e Rua Nova Primeira dois canos de ferros indicam que por ali só é possível a passagem de carros pequenos e em baixa velocidade. “Aqui o número de crianças é enorme e os motoristas passavam em alta velocidade e pra prevenir que algum acidente acontecesse, nós mesmos tomamos a atitude de colocar essas barras de ferros”, conta Anax Mando que mora há 27 anos.
A opção de criar obstáculos em vias apesar de ser justificada como medida de segurança pode custar caro aos moradores e gerar processo judicial, como prevê o código de trânsito. “Na maioria dos casos os obstáculos não permitem que carros de médio e pequeno porte trafeguem pela via. Em caso de incêndio, por exemplo, o carro de bombeiros será impedido de entrar e várias vidas vão está correndo perigo. É ilegal agir dessa maneira e os responsáveis podem até responder a processos judicialmente”, alerta o coordenador de operações de trânsito da Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub), Isaías Reis.
A Autarquia é o órgão responsável por definir quais os tipos de veículos que trafegam por determinada área. Se os moradores tiverem o desejo, por algum motivo, de ter as suas vias reduzidas devem primeiramente procurar a Amub para que um estudo técnico seja feito na área e encaminhado para a Secretaria de Urbanismo de Belém (Seurb) para que essa de o seu parecer favorável ou contrário.
Caso contrário, os responsáveis são notificados a retirar os obstáculos dentro determinado prazo, quando não respeitado se dá início ao processo judicial. No caso dos moradores do conjunto Costa e Silva, Reis é pontual. “Os agentes da Amub foram até a área e verificaram que não há necessidade de interrupção das ruas. O que acontece é que os moradores estavam acostumados a uma realidade e quando aumentou o número de motoristas que usam o conjunto, que é aberto, como atalho as pessoas ficam incomodadas”, afirma o coordenador.
(Diário do Pará)
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