Em Cametá, no Pará, mais de 13 mil famílias estão associadas à Colônia de Pescadores do município. Há quase 90 anos, a associação desenvolve trabalhos sociais em prol dos ribeirinhos que extraem dos rios e da floresta sustento para as próprias famílias. Um dos projetos recebe o nome de ‘’Pescador transformador’’. Uma parceria da Colônia com a Universidade do Federal do Pará (UFPA), na qual os graduandos dos cursos de licenciatura dão aulas preparatórias para o vestibular aos filhos de pescadores.
O projeto está em vigor desde 2011, exatamente no ano em que o estudante Jones Rodrigues Cardoso, 21 anos, decidiu prestar o vestibular pela primeira vez. Jones começou a estudar sozinho. Depois soube pela irmã que a Colônia ofertava cursinho preparatório para o vestibular. Jones se inscreveu, e gratuitamente estudou intensamente faltando três meses para o vestibular.
Jones foi aprovado e cursa atualmente o 4ª semestre de tecnologia em alimentos na Uepa. De uma família ribeirinha, dos seis irmãos, Jones é o segundo mais novo e o único a estar numa Universidade. As aulas continuam a ser realizadas no prédio da Colônia, situado na Rua Pedro Teixeira, 165, bairro Matinha.
“ De 2011 para cá conseguimos aprovar nove filhos de pescadores no vestibular’’, conta o presidente da Colônia dos Pescadores de Cametá, José Fernandes Barra, 42 anos. Ele esteve em Belém para se apresentar a nova direção da Superintendência de Pesca do Estado do Pará e mostrar os projetos à frente da associação.
Na sede da Colônia, além das salas de aula, há o laboratório de informática com 20 computadores onde os filhos de pescadores aprendem informática básica e avançada em seis meses, parte de mais um projeto, o ‘’Pescando o saber’’. A Colônia em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura do Governo Federal já financiou a compra de materiais de pesca, e com o Ministério do Trabalho, a oportunidade de os pescadores se aposentarem e terem todos os direitos trabalhistas resguardados.
Com os recursos próprios e do Governo Federal, a Colônia já construiu uma estação de apicultura, de alevinos, processamento de açaí, fábrica de palmito e produção de mel. “Esperamos fazer um centro de convenções acoplado ao porto, com restaurante, venda de artesanato local para que os pescadores ofereçam suas mercadorias’’, diz José Fernandes.
(Diário do Pará)
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