Mães, esposas, donas de casa, companheiras e trabalhadoras. Em 2012, 14.233 paraenses conquistaram vagas no mercado de trabalho. Hoje, das cerca de 1,5 milhão de mulheres incluídas na PEA (População Economicamente Ativa) no Pará, aproximadamente 1,3 milhão estão ocupadas. Os números foram apresentados, em coletiva de imprensa, na sede da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seter). O balanço foi feito em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) do Pará e focou na participação da mulher no Mercado de Trabalho no Pará e na Região Norte.
Tanto no mercado formal quanto no informal, as paraenses conquistaram empregos na administração pública, com 18 empregos gerados, na construção civil, com 1.879 vagas ocupadas por mulheres. Comércio e serviços foram responsáveis pela maioria das vagas geradas, com 5.474 e 5.854 postos de trabalho ocupados por elas, respectivamente. No entanto, ainda são poucas as empreendedoras que contratam funcionários, apenas 1,45% do total de mulheres empregadas.
O Pará foi o Estado que mais gerou postos de trabalho em toda a região Norte, foram 37.846 novas vagas. O Estado ficou muito à frente do segundo colocado, Amazonas, com 9.615 postos gerados, 5.145 deles ocupados por mulheres, segundo dados apresentados pelo Dieese.
De acordo com Roberto Sena, diretor técnico do Dieese/PA, a única consideração negativa do balanço são os números que tratam da remuneração salarial das mulheres. Cerca de 45% das paraenses têm rendimento de até um salário mínimo, 29% têm rendimento entre meio e um salário mínimo e 15% ganham menos de um salário mínimo. Restam apenas cerca de 11% que têm renda superior a um salário mínimo. “É inadmissível que a diferença salarial entre homens e mulheres chegue a 40% em algumas situações. Aos poucos, o Estado está diminuindo essa defasagem, mas ainda há um longo caminho pela frente. Hoje, eu posso afirmar com certeza que em todos os setores há presença de mulheres”, afirma.
Um estudo divulgado no início do ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que esta não é uma realidade local. De acordo com a retrospectiva da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto, em 2003, as mulheres brasileiras ganhavam, em média, 70,8% do salário dos homens. Em 2012, o percentual subiu para 72,7%, segundo a pesquisa, mas a diferença continua sendo de 27,3%.
De acordo com o secretario de Estado de Trabalho, Emprego e Renda, Celso Sabino, o governo do Estado aposta na qualificação e na diferenciação da mão de obra para equiparar os salários de ambos os sexos. “Os programas de qualificação que oferecemos procuram se adequar às demandas do mercado para que possamos conciliar os empregados à atividade econômica do município. Estes números são a prova de que as mulheres, cada vez mais, têm iguais oportunidades de disputar as mesmas vagas que os homens, inclusive, em setores tradicionalmente masculinos, como construção civil ou motorista de máquinas pesadas”, observa.
EXEMPLOS
Conceição Vasconcelos lidera a gerência de frente de loja de um grande supermercado de Belém. Aos 57 anos, a gerente afirma que não seria nada sem seu trabalho e que já sofreu discriminação. “Quando é mulher, as pessoas justificam o crescimento profissional como puxa-saquismo. Nós até podemos ser humilhadas, mas temos força de vontade, perseverança e muita responsabilidade para provar nossa competência”, afirma.
Conceição atenta para o fato de que, diferente dos homens, muitas mulheres cumprem até tripla jornada de trabalho, ainda que extraoficial. “Quando termina nosso trabalho aqui, começa outro em casa. A mulher não tem disso que muitos homens têm de chegar cansada do trabalho e ir deitar pra descansar. Nós somos muito comprometidas em tudo que fazemos e merecemos ser valorizadas por isso”, defende.
(Diário do Pará)
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