plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 28°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Especial: Filhos podem custar até R$ 2 mi

Desde o anúncio da chegada de um novo membro na família até o dia em que o tão esperado filho conseguirá seguir sua vida de maneira independente, o caminho a se percorrer é longo. Para além do tempo e da dedicação necessária para se criar um filho, há que

twitter Google News

Desde o anúncio da chegada de um novo membro na família até o dia em que o tão esperado filho conseguirá seguir sua vida de maneira independente, o caminho a se percorrer é longo. Para além do tempo e da dedicação necessária para se criar um filho, há que se programar para os gastos com fralda, médico, alimentação, escola, mesadas, lazer, vestuário e qualquer outra necessidade que possa surgir ao longo do caminho. Pela estimativa do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), quando se toma como referência o padrão de vida de uma família da classe A, esse custo pode até superar os R$2 milhões.

Diante das necessidades de filhos de três faixas etárias diferentes, a psicóloga Carla de Luna nem consegue prever um gasto total até que todos atinjam a independência financeira. Mãe de Raquel, de 18 anos, de Samuel, de 15, e da pequena Laura, de um ano e dez meses, só o que ela consegue estimar é que os gastos para se manter o padrão de vida dos herdeiros chegam a R$7 mil por mês. “Como são faixas etárias bastante diferentes, os custos também são diferentes e muito altos. Cuidar de um filho neste padrão de vivência que temos requer um custo alto”, afirma. “Cada faixa etária tem um custo diferente. Tudo o que eu ganho, eu gasto. Consigo manter esse padrão, mas trabalho de manhã, de tarde, à noite e aos sábados”.

Sem que seja necessária a organização formal dos gastos, Carla enumera naturalmente as despesas que lhe vêm à mente. Com a filha mais velha já na faculdade e estagiando, os gastos passaram para a manutenção de um carro. Na chegada do filho do meio aos 15 anos, têm-se a necessidade de mesada, das viagens, da academia.

DEMANDAS

Já com a caçula, não se pode esquecer as fraldas, a babá, os aniversários. “O plano de saúde foi uma coisa que me assustou. Quando a Raquel chegou aos 18, o valor do plano de saúde já aumentou. Ela já faz estágio, já tem o dinheirinho dela, mas já crescem os custos com o clube, que já passa a ser diferenciado”, avalia. “O Samuel é cheio de demandas, tem o lazer, a academia, não é só alimentar o filho e levar para a escola. Já com a bebê eu voltei a ter custos que eu jamais imaginei ter de novo: babá, natação, escola, fralda, alimentação diferenciada”.

Mesmo com as experiências vivenciadas nas três fases de desenvolvimento dos filhos, para ela, ainda é difícil elencar uma área que consuma a maior parte da renda. “Alimentação, educação, vestuário... Esses custo de dentro de casa, fixos, demandam a maior parte da renda porque a só se gasta com lazer quando se pode. A educação consome um dinheiro imenso e a gente não recebe retorno no Imposto de Renda, por exemplo”, palpita. “Se pensar muito, se não ousar, a pessoa recua e acaba não tendo filho porque é um gasto muito grande. Mas eu estou muito feliz com a maternidade, vale muito a pena, sou apaixonada pelos meus filhos. A vontade de dar um padrão bom de vida para os filhos é, inclusive, um incentivo para se correr atrás e buscar os objetivos”.

Saída é planejar e estabelecer regras

Apesar dos custos fixos e inevitáveis, para a economista e educadora financeira Patrícia Godoy, a melhor saída é que a família faça um planejamento de seus gastos. “A sugestão é a de que os pais consigam visualizar a média de custo para cada filho para observar o que gera mais gasto com um filho de determinada faixa etária e o que se gasta menos para que isso possa ser compensado no outro filho que é de outra idade e que, portanto, tem gastos diferentes”, aponta. “É preciso diagnosticar o quanto está se gastando e o quanto esse gasto significa para a renda total. A partir daí se começa a fazer um orçamento de tudo o que tem que ser gasto anualmente para se pensar em quanto os pais irão gastar com educação”.

Além dessa perspectiva dos pais em relação ao próprio orçamento e aos gastos necessários para a manutenção dos elementos necessários à criação dos filhos, a economista também destaca a importância de se incluir os próprios filhos neste processo. “A partir do momento em que a criança começa a entender que o pai e a mãe não têm condições de ter certas coisas para investir em sua educação, começa-se a se trabalhar com a educação financeira desde a infância”, aponta.

“Quando eu começo a colocar regras, consigo enxugar o orçamento. Também é importante incentivar a criança a fazer um cofrinho em casa desde cedo para que ela tenha a percepção da necessidade de se economizar para comprar um objeto que se queira”.

EDUCAÇÃO

Colocando a educação em primeiro lugar em volume de gasto, o oficial de justiça Ronaldo Lima também conhece bem as despesas necessárias para se criar um filho. Pai de quatro meninos – Vitor, Leonardo, Gustavo e Lucas - três em idade escolar e um já na faculdade, ele ainda teve que adaptar o orçamento ao aumento dos gastos causados pela mudança do município de Conceição do Araguaia para a capital. “O valor gasto com os filhos ao longo da vida é incalculável. Se a pessoa colocar na ponta do lápis, acaba não tendo filhos”, também acredita. “Estou morando há um ano em Belém e a diferença de gasto aqui é muito grande em relação ao interior. A educação é o que mais onera”.

Em uma conta rápida, ele aponta os gastos que precisa manter apenas para que os quatro filhos possam dar continuidade aos estudos. “Só de mensalidade, gasto R$1.100 com três filhos e mais R$900 de mensalidade da faculdade do mais velho. Todo mês, ainda gasto R$900 só de combustível para deixá-los no colégio. Ainda tem mais R$12 por dia para o lanche na escola e toda semana tem um gasto de R$15 com material de algum trabalho”, enumera. “Ainda tem gastos com xérox, os livros variam de R$130 a R$160 e a média é de seis matérias por série do fundamental [ensino fundamental]. Hoje, a pessoa precisa pensar bem antes de ter quatro filhos porque é muito difícil oferecer um sistema educacional de qualidade para eles”.

Também na visão do estudo realizado pelo professor e presidente da Invent, Adriano Amui, a educação é o que mais onera o orçamento de grande parte das classes de renda com os filhos. De acordo com a pesquisa, o total gasto pela classe A com educação chega a R$600 mil, enquanto a classe B chega a gastar R$365 mil e a classe C R$185 mil. Ainda segundo o estudo, apenas a classe D detém a maior parte da renda para arcar com os custos domésticos, gerando um total de R$28 mil.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!