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Mulheres têm o desafio de superar baixos salários

“Priorizo as contas de luz, água, telefone, além da alimentação. Só compro roupas, calçados e outros acessórios quando o dinheiro dá. Não compro outras coisas, enquanto não pago a conta anterior. Assim vai dando. Não fico atolada de dívidas”, diz a aposen

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“Priorizo as contas de luz, água, telefone, além da alimentação. Só compro roupas, calçados e outros acessórios quando o dinheiro dá. Não compro outras coisas, enquanto não pago a conta anterior. Assim vai dando. Não fico atolada de dívidas”, diz a aposentada Maria Lindalva de Sousa, 58. Ela é oriunda do interior do Maranhão e aos 18 anos veio morar na capital paraense em busca de melhores oportunidades. Por 13 anos trabalhou como doméstica na casa de um primo que vive em Belém. Depois se tornou comerciária. “Me aposentei aos 53 anos por causa de uma lesão na mão, devido a movimentos repetitivos [síndrome do túnel carpal]”.

Hoje Lindalva faz parte de uma estatística que cada vez mais cresce no Pará. É chefe de família. Sozinha decidiu criar os dois sobrinhos que vivem com ela desde crianças. São como filhos. Uma jovem de 18 anos que faz faculdade e um adolescente de 15, que está no ensino médio. Ambos sempre estudaram em colégio particular. “Eles conseguiram meia-bolsa para estudar, devido a nossa renda que não é tão alta”, lembra. De uma forma ou de outra, a aposentada sempre tenta agradar ao adolescente. “Nessa fase a juventude sempre quer estar bem arrumada”, ressalta Maria Lindalva.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese / Pará), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os últimos dados levantados apontam que o número de famílias chefiadas por mulheres aumentou. De 2009 a 2011 ocorreu um crescimento de 11,61%. Em 2009 eram 1,6 milhão de mulheres chefes de domicílios. Em 2011 estes números saltaram para 1,8 milhão (36,97%), tendo em vista um total de 4,8 milhões de famílias.

Já no Estado do Pará durante o mesmo período de anos, houve um crescimento de 12,22%. O número de mulheres chefes de domicílio em 2009 era de 717 mil. Já em 2011, de um total de 2,3 milhões de família, os números passaram para 804 mil (35,38%) de mulheres com ou sem emprego formal, e com baixa remuneração.

Somente com a aposentadoria de um salário e meio de Maria Lindalva é difícil administrar uma casa. Ela relata que se desdobra com os ‘bicos’. “Faço de tudo. Costuro, faço faxina e cozinho. Às vezes os irmãos da igreja que frequento e outros conhecidos me chamam para fazer algum serviço. Qualquer trabalho que aparece estou pegando”, brinca.

Lindalva afirma que faz de tudo pelos filhos com uma renda que varia entre 1 mil a 1.500 reais. “Às vezes tenho coisas que nem sei como pude alcançar. Consegui comprar uma casa para a minha família no Maranhão e outra para mim aqui em Belém”. Lindalva afirma que apesar de todas as dificuldades, no final tudo dá certo. “Já passamos ‘aperriados’, mas graças a Deus nunca passamos fome. Temos que fazer alguns sacrifícios, como no caso do meu filho adolescente que estuda à tarde. Ele almoça antes de sair de casa e não lancha no colégio. Só volta a comer depois que chega”, conta.

O Dieese/PA aponta que de um total de 3,5 milhões de pessoas ocupadas em todo o Estado, 62% são homens e 38% são mulheres. 15,39% de mulheres ocupadas ganham até meio salário mínimo e 29,90% ganham entre meio e um salário mínimo. Isto quer dizer que 45% das mulheres ocupadas ganham até um salário mínimo de remuneração máxima. Com ganhos entre um e dois salários mínimos, de 19,50% do total de mulheres ocupadas e com ganhos acima de 20 salários mínimos, há apenas 0,39% do total de mulheres ocupadas no estado.

(Diário do Pará)

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