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Pneus viram depósitos de mosquitos

Apesar de existirem duas resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que determinam aos fabricantes e importadoras de pneus darem o destino adequado para aqueles que não servem mais para ser usados em veículos, Belém parece estar longe de cu

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Apesar de existirem duas resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) que determinam aos fabricantes e importadoras de pneus darem o destino adequado para aqueles que não servem mais para ser usados em veículos, Belém parece estar longe de cumprir com a sua parte. Basta andar pela cidade para se deparar com algum pneu velho, ou vários pneus, despejado aleatoriamente em calçadas, esquinas e canais. Não existe uma coleta diferenciada para este tipo de material e quando recolhidos pela prefeitura, são levados para o aterro sanitário do Aurá, onde poderão ou não ser reaproveitados pelas cooperativas de catadores.

Os pneus despejados irregularmente nas ruas servem como criadouro para o mosquito Aedes aegypti (que transmite a dengue), sem destacar que também contribuem para o entupimento de esgotos e canais da capital. A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) não possui nenhum dado estatístico que aponte a quantidade de pneus recolhidos das ruas e dos pontos críticos de lixo. Porém, é fato que estes materiais estão presentes em entulhos de lixo na cidade.

Na Travessa Alferes Costa, próximo a Avenida Senador Lemos, no bairro da Sacramenta, por exemplo, os pneus velhos ocupam boa parte do calçamento - além de dividir a sujeira com restos de materiais de construção. “Já tiveram dias em que chagamos a contar 62 pneus jogados aí”, disse o morador Rafael Alves. Ele destaca que toda semana entra em contato com a Prefeitura de Belém, por meio da Sesan, para recolher os entulhos. Questionado sobre quem são as pessoas que despejam os pneus, ele não pode comprovar quem são os responsáveis. “Eu acredito que sejam borracheiros e demais pessoas que trabalham com recauchutagem de pneu”, destacou.

No conjunto Paraíso dos Pássaros, em Val-de-Cans, o problema é ainda mais agravante. Alguns moradores apresentaram um quadro de dengue e acreditam que o foco de reprodução do mosquito esteja nos pneus jogados por desconhecidos na esquina da rua Jutaí. O caso mais recente que se tem conhecimento é o do garoto de apenas cinco anos de idade, neto do autônomo Jair Pantoja.

“O meu neto é uma criança apenas e está crescendo em meio a esta sujeira. Quem passa por aqui vê a água parada e acumulada nos pneus”, lamenta o avó. “Esta água está cheia de larvas do mosquito da dengue, por isso que o meu neto contraiu a doença e todos os moradores daqui estão ameaçados a pegar dengue”. Jair denuncia que já presenciou cenas em que uma caçamba despejava pneus no lixo acumulado.

Belém não tem pontos de coleta

Os pneus velhos também são encontrados em esquinas e calçadas do centro da cidade. No canal da Visconde, é comum verificar a presença de pneus de motos e carros jogados nas esquinas e até dentro do canal.

Dono de uma borracharia no bairro do Marco, Ailton Silva frisou que os pneus velhos que não serão mais utilizados para nenhum serviço são recolhidos pelo próprio carro da coleta de resíduos sólidos domiciliares – sem nenhuma diferenciação do lixo doméstico. “O próprio caminhão do lixo leva tudo. Nunca tivemos problemas com isso”, comentou.

De acordo com a coordenadora da ONG No Olhar, Patrícia Gonçalves, deve prevalecer a sensibilidade dos proprietários dos veículos, que poderiam questionar na loja e borracharia qual a destinação dada aos pneus velhos retirados dos carros. “O correto seria eles devolverem para os fabricantes, responsáveis pela destinação adequada deste tipo de resíduo. Se o estabelecimento não tem esta conscientização ecológica, o cliente pode procurar outro”, frisou.

Patrícia desconhece se existe algum ponto de coleta de pneus em Belém, uma vez que pouco se ouve falar em projetos de reaproveitamento do material – que pode ser utilizado na fabricação de móveis e calçados, por exemplo. “Não se pode fingir que ninguém está vendo esta sujeira. O pneu não vai sumir das ruas e demanda um tempo incalculável para se decompor”, disse.

ESTUDO

O titular da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), Luiz Otávio Mota, enfatizou que a coleta diferenciada deste material ainda será alvo de estudo, mas não há previsão de quando será uma realidade. “O pneu tem potencial para ser reaproveitado na reciclagem. Se triturado, por exemplo, pode ser usado na construção civil como base de pavimentação”, explicou Mota. Os pneus também podem ser reutilizados artesanalmente pela indústria de calçados. Nas residências, podem ser utilizados para a fabricação de “pufs” (assentos).

Questionado sobre a resolução do Conama que obriga a indústria pneumática a se responsabilizar pela destinação de cada pneu sem serventia, o secretário reconhece que isto não vem sendo aplicado. “É o que a gente chama de Logística Reversa, que funciona como um acordo entre o fabricante e o comerciante de pneus, mas aqui não funciona ainda”, complementa.

(Diário do Pará)

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