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Mulheres ocupam cada vez mais cargos de chefia

Na primeira participação de uma solenidade oficial da Polícia Civil do Estado do Pará, a delegada Beatriz Silveira presenciou a premiação de quem viria a ser sua grande inspiração profissional. Ao ver a delegada Ione Coelho receber a medalha ‘Evanovich de

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Na primeira participação de uma solenidade oficial da Polícia Civil do Estado do Pará, a delegada Beatriz Silveira presenciou a premiação de quem viria a ser sua grande inspiração profissional. Ao ver a delegada Ione Coelho receber a medalha ‘Evanovich de Investigação’, em uma época em que a atuação de mulheres em posições de comando na corporação ainda não era tão intensa, ela não imaginava que o mesmo lhe aconteceria dentro de tão pouco tempo.

Tendo iniciado sua história na Polícia Civil ainda com dezoito anos na função de escrivã, a delegada da, agora Divisão de Repressão a Crimes Tecnológicos, coordena uma equipe de 12 pessoas, está formando três delegacias ligadas ao combate a crimes tecnológicos, comandou a efetivação de mais de 400 prisões na delegacia em que era titular e é detentora das medalhas ‘Evanovich de Investigação’ e ‘Medalha do Mérito Policial Civil’. “Quando a divisão ainda era uma delegacia, minha atuação era mais restrita. Mas a delegacia foi pioneira no Brasil – só existiam oito delegacias de combate a crimes tecnológicos no país – e a divisão é, na verdade, um reconhecimento da importância do trabalho realizado pela delegacia”, atribui. “Vamos para operações, estamos na linha de frente, efetuamos prisões e cada membro da equipe é fundamental”.

Apesar da consolidação já observada não apenas através de premiações oficiais, Beatriz lembra que nem sempre essa atuação foi fácil. Tendo toda experiência profissional firmada na instituição, ela percebe avanços quanto ao destaque de mulheres nesse campo profissional. “Entrei na Polícia com dezoito anos, então, desde sempre eu fui polícia e notamos uma evolução muito grande. Hoje, as mulheres tem esse espaço consolidado, mas, no início, eu senti dificuldade por ser nova, ser mulher. Quando eu fiz concurso para escrivã eram apenas quatro mulheres”, recorda. “As mulheres unem razão e sensibilidade e essa sensibilidade é uma qualidade importante porque trabalhamos com crises na polícia. As mulheres conseguem fazer a diferença na hora de liderar uma equipe”.

ESPAÇO

Pelo perfil de liderança evidenciado desde muito cedo, a delegada Christiane Lobato chegou à função de Delegada Geral Adjunta da Polícia Civil do Pará em oito anos de corporação. Mesmo antes de se tornar da polícia - onde também já dirigiu a Seccional do Comércio e da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data), além da Diretoria de Atendimento aos Grupos Vulneráveis (DAV) - ela também já tinha exercido um cargo de comando enquanto coordenadora de suporte operacional de outro órgão do Estado. “Acredito que as mulheres são mais perfeccionistas, por isso, é sempre bom ter um homem e uma mulher à frente da gestão. Há certos temas que são mais sensíveis e não podemos enxergar a polícia apenas como repressão”, acredita. “Essas conquistas estão muito ligadas a um perfil de liderança mesmo. Fui coordenadora no Detran (Departamento de Trânsito do Estado do Pará) com 25 anos de idade e coordenava uma equipe de mais de 400 pessoas. Quando se tem o perfil de líder, acho que essas coisas acontecem naturalmente”.

Identificada por um perfil de uma pessoa perfeccionista e exigente, a delegada também faz questão de salientar que não se esquece do lado mais sensível ao longo de sua atuação profissional. Característica que, aliada a outros aspectos, fez com que ela conquistasse cada vez mais espaço. “Sou muito exigente, mas isso não faz com que eu perca a sensibilidade. Quando eu tenho que ser enérgica, eu sou, mas sem desrespeitar os direitos de ninguém”, aponta. “Nunca imaginei ser delegada geral adjunta. É um reconhecimento do meu trabalho. A cada lugar que vai, a atividade é diferente. O importante é manter a humildade porque esses cargos de comandos são passageiros”.

Diante da realidade vivenciada pela prevalência de 36% de delegadas mulheres dentro da Polícia Civil do Pará e independente do reconhecimento das características positivas detidas por mulheres, para a delegada, o que não se pode perder de vista é que as mulheres são, na verdade, iguais aos homens. “É um processo natural [a ocupação de cargos de comando por mulheres]. Antes isso não acontecia porque a mulher tinha uma vida muito limitada ao ciclo familiar”, acredita. “Condições todo mundo tem, depende muito do trabalho que a pessoa desenvolve. Onde eu estiver, vou estar fazendo o meu trabalho e servindo à sociedade”.

Elas também se destacam no judiciário

Sob o comando de um órgão público que também possui, em seu histórico, o destaque de profissionais do sexo feminino, a desembargadora e presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA), Luzia Nadja também preza por essa igualdade. Já tendo atuado, dentre outras funções, como secretária geral do Ministério Público do Estado do Pará (MP) e como Corregedora de Justiça da Região Metropolitana de Belém, ela acredita que cada um precisa percorrer seus próprios caminhos.

“A luta da mulher começou não para se sobressair, mas para ter igualdade. E essa igualdade está sendo alcançada, buscada diariamente”, acredita. “Não gosto de diferenciar homens de mulheres. Estamos caminhando para alcançar essa igualdade de forma plena. O que ainda é preciso fazer é refletir sobre como a mulher pode contribuir com essa igualdade”.

Primeiro tribunal de justiça do país a ter como presidente uma mulher - a desembargadora Lydia Dias Fernandes - O TJE do Pará, hoje, também mantém as mulheres como maioria dentre os desembargadores.

De qualquer modo, independente do atual reconhecimento, a presença das mulheres também no judiciário foi conquistada aos poucos. “Em 1983 eu já era concursada e fui para o interior do Estado. Naquela época, diziam que o interior não era apropriado para mulheres porque não tinha a estrutura adequada. O judiciário, pelo fato de ser necessário iniciar sua carreira no interior, era olhado como se as mulheres tivessem mais dificuldade de atuação”, lembra a desembargadora. “Hoje, a realidade mudou em toda a sociedade. A mulher não só contribui, mas, muitas vezes, sustenta a família. A mulher galgou espaços e responsabilidades e, hoje, somos ouvidas não apenas na família”.

Médico recomenda atenção à saúde

O Dia Internacional da Mulher relembra a importância e o papel na sociedade que elas vêm assumindo ao longo dos anos. Também lembra os cuidados que todas elas devem ter com a própria saúde, principalmente no que diz respeito ao câncer de mama.

O doutor Ewaldo de Oliveira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), fala sobre a campanha que a entidade vem fazendo para chamar a atenção das mulheres. “Infelizmente não há como evitar o câncer de mama, mas é possível fazer um rastreamento, um diagnóstico bem no começo. Quanto antes, melhor. Por isso fizemos uma pequena mudança no foco da campanha, orientando sobre a importância da mamografia”, comenta.

A campanha “Eu amo meus peitos” vem para incentivar as mulheres a realizarem a mamografia, que aumenta as chances de cura da doença para 95% dos casos. “Queremos falar da necessidade de realizar exame anualmente após os 40 anos, além de incentivar os médicos também a solicitá-lo às suas pacientes e buscar a otimização dos mamógrafos do país. Não adianta fazer o exame em um mamógrafo danificado e acabar em um diagnóstico errôneo”, esclarece o doutor.

A assistente administrativa Simeire Soares tem 47 anos e realiza a mamografia desde os 40: “Minha médica me orientou e eu faço uma vez por ano. Sei das consequências do câncer de mama e sei que, a partir de certa idade, a possibilidade de desenvolvê-lo é bem maior”.

Ewaldo de Oliveira fala das dificuldades de acesso ao exame que muitas mulheres têm. “Sabemos que o Brasil possui mamógrafos suficientes, mas eles estão muito mal distribuídos, e é difícil conseguir autorização e encaminhamento para o exame, mas é essencial que a mulher faça a mamografia”, aconselha.

De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 65% das mulheres com menos de um ano de estudo têm acesso ao exame. Entre aquelas que possuem 15 anos de estudo ou mais, a proporção sobe para 94%. A pesquisa também mostra que apenas 62% das mulheres com renda de até R$ 104 fazem a mamografia e profissionais de maior renda têm um índice de realização de 94%.

O doutor Ewaldo explica que a Lei 11.664/2008 garante a mamografia às mulheres a partir de 40 anos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Simeire Soares se mantém informada sobre o assunto e acredita que as mulheres não podem se acomodar: “Qualquer mulher tem direito a fazer a mamografia no posto de saúde, mas não pode ficar parada, não querer ir ao exame. Tem que fazer e periodicamente. O autoexame ajuda, mas detecta um tumor já avançado”, esclarece.

O vice-presidente da SBM explica que o desenvolvimento do câncer da mama é lento e, para chegar a um centímetro, leva de 8 a 10 anos. Para ser detectado no autoexame, o tumor está em estágio avançado: com 2 a 5 centímetros, onde as chances de cura são menores. “Por isso a mamografia é tão importante. É o melhor método de detecção, sem dúvidas. Admito que tenha falhas, mas as mulheres precisam ter coragem e cuidar da saúde”, alerta.

A campanha “Eu amo meus peitos” lança uma provocação sobre as brasileiras: para manter os símbolos de beleza e sensualidade feminina, é preciso ter peito e fazer os exames regularmente. A campanha da SBM é realizada há treze anos, sempre trazendo celebridades como Giovana Antonelli e Luiza Brunet. “Nós queremos mulheres comuns nessa campanha também. Para estimular a autoestima delas, faremos um site que publicará as fotos dos seios das internautas anônimas. Veicularemos notícias e vamos tirar qualquer dúvida que surgir”, conclui Ewaldo de Oliveira.

(Diário do Pará)

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