A doméstica Marta Tavares, 49, afirma que toda semana sente a diferença nos preços dos alimentos quando vai às compras no supermercado. “É um preço hoje e amanhã já é outro. Sempre tento escolher outras marcas mesmo que a qualidade não seja a mesma. Às vezes deixo de comprar certas coisas, porque sei que o valor vai sair mais alto quando eu chegar no caixa”, explica Marta ao dizer como faz para economizar.
O aumento de 5% no preço do óleo diesel que ocorreu na última quarta-feira (6), influenciará no valor da cesta básica da população. De acordo com pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), este reajuste no combustível se refletirá diretamente no preço dos fretes que transportam mercadorias, e consequentemente, terá um efeito dominó na economia, principalmente nos preços dos alimentos.
Assim como Marta, a auxiliar administrativo, Fátima Silva, 58, também diminuiu o ritmo das compras depois que se deu conta de que a cesta básica está mais cara.
Antigamente, ela optava mais pela qualidade dos mantimentos. “Hoje são os preços que ditam as regras. Tenho que levar para casa o que sai mais barato para o meu bolso, pois ainda temos outras contas para pagar, como água e luz”, argumenta Fátima.
Sempre com um caderninho de anotações em mãos, a microempresária Fernanda Tavares, 41, também tenta de uma forma ou de outra economizar. Na hora de fazer as contas, ela percebe que o preço dos alimentos está subindo cada vez mais. “Em casa sempre improviso com outras alternativas de comida para que dessa forma tudo saia mais barato. Prefiro cortar os alimentos supérfluos e adquirir os essenciais”, conta.
Fernanda, que possui uma lanchonete, prefere não comprar alimentos de marca inferior, porque isso interfere no sabor da comida que prepara. “Quanto mais cai o padrão, pior a comida fica”, brinca.
A microempresária ressalta que já não bastam os impostos que paga no estabelecimento, agora precisa pagar mais no supermercado. “Todo tempo tenho que pagar imposto sobre imposto!” reclama.
Os preços dos produtos da alimentação básica dos paraenses tiveram elevações expressivas já no início do ano. Em janeiro, liderada pela farinha e o tomate, a cesta básica registrou alta de 3,29%, comprometendo cerca de 45% do novo salário mínimo (R$ 678,00).
É o que apontou o Balanço Nacional da Cesta Básica, efetuado pelo Dieese/PA. Os percentuais equivalem a um valor de R$ 280,51 no custo da cesta básica, com uma alta de 3,29% em relação aos preços praticados no mês de dezembro de 2012. Ainda de acordo com o balanço, no mês de janeiro deste ano, todas as 18 Capitais pesquisadas apresentaram altas de preços.
No Pará, os maiores reajustes no mês de janeiro foram registrados para os seguintes produtos: Tomate com alta de 13,31%; seguido pela Farinha de Mandioca com alta de 8,99%; Banana com alta de 5,29%; o Arroz com alta de 3,64%; Café com alta de 1,82%; seguido do Leite com alta de 1,53% e ainda a Carne Bovina com alta de 1,15%. Apenas a manteiga (-1,92%); seguido do Feijão (-1,54%); Óleo de Cozinha (-1,31% ) e Açúcar (-1,09%) recuaram.
A trajetória de preços da Alimentação Básica dos Paraenses nos últimos 12 meses mostra reajuste acumulado no preço da Cesta Básica de 12,76%. O que significa, segundo o Dieese/PA, que a Cesta Básica para uma família padrão paraense, ficou em R$ 841,53 em janeiro.
(Diário do Pará)
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