O secretário de Segurança Pública do Pará, Luiz Fernandes Rocha, pode ter que dar explicações ao parlamento estadual sobre o contrato da administração estadual com a empresa Cial Comércio e Indústria de Alimentos, de propriedade do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que venceu licitação para fornecer alimentos ao sistema penal do Estado do Pará no valor de R$ 100 milhões, conforme denúncia veiculada na edição de domingo, 10, do DIÁRIO, que também já é objeto de investigação do Ministério Público.
Na sessão de ontem da Assembleia Legislativa (AL), o líder do PSol, Edmilson Rodrigues, apresentou requerimento para que o contrato seja esclarecido pelo secretário de Segurança Pública por escrito. Porém, o líder do PSDB na casa, deputado José Megale, garantiu que não será problema o secretário ir ao parlamento explicar o contrato com a Cial.
“Nada impede que o secretário preste esclarecimentos. Todas as vezes que o governo puder, vai esclarecer”, garantiu o líder tucano. O requerimento ainda será votado em plenário e somente após esta etapa o secretário será chamado para prestar os esclarecimentos.
Segundo José Megale, o assunto já foi debatido outras vezes na casa, quando a oposição cobrou explicações sobre outro contrato com a Delta, também de Carlinhos Cachoeira. Ele garantiu também que o contrato foi feito por causa do valor menor pelo serviço apresentado pela empresa.
DELTA
Edmilson Rodrigues ressaltou que desde o início do mandato cobra explicações à administração estadual sobre a manutenção do contrato com a Delta Construção, assinado no governo de Ana Júlia Carepa (PT) e tão criticado pelos tucanos. “O PSDB criticava o aluguel de viaturas à Polícia Militar, mas, além de manter o contrato, ainda ampliou de R$ 14 milhões para R$ 17 milhões. Não satisfeito, aditou o contrato e ampliou em mais R$ 4 milhões e ainda estendeu para outros órgãos da segurança pública e também à saúde”, acentuou o deputado.
Para Rodrigues, o parlamento não pode fingir que não está vendo este tipo de situação, pois, além de ser verba pública, o valor de R$ 100 milhões não é desprezível. Além disso, informou o líder do PSol, ele já pediu informações sobre as empresas do bicheiro Carlinhos Cachoeira à CPI realizada na Câmara Federal.
O deputado entrou em contato com o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP), que foi membro da comissão. A intenção é descobrir se a Cial consta na investigação da CPI como empresa do bicheiro ou como laranja.
(Diário do Pará)
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