Dois casos de violência contra a mulher ganharam repercussão nacional, Eliza Samúdio e Mércia Nakashima, pelas mortes e a forma brutal como os agressores cometeram os assassinatos. Em Belém, na manhã de segunda-feira (11) mais um caso se somou às tristes estatísticas. Ana Paula Pismel, 28, foi assassinada pelo ex-companheiro com um tiro na cabeça.
A Lei número 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha foi criada em 2006. Depois de passados sete anos, a violência contra a mulher ainda é alta e cruel. A Lei foi criada em homenagem à Maria da Penha Maia Fernandes. Ela sofreu agressões diárias do marido durante seis anos de casamento. Ele ainda tentou assassiná-la por duas vezes, o motivo: ciúme doentio.
Na maioria dos casos a motivação, justificada pelos agressores para tamanha violência, é a simples menção do término do relacionamento e ciúmes. A delegada Alessandra Jorge, da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) disse que o enfretamento da violência contra crimes passionais são os mais difíceis que outros tipos crimes. “Nele há uma condição histórica, própria do fenômeno da cultura patriarcal e conservadora que é passado de geração em geração”.
A delegada ressalta que podem criar várias leis de combate à violência contra a mulher, mas se não houver uma transformação social e cultural por meio da educação de nada irá valer. “A violência é propagada. As crianças assistem essa violência dentro de casa. Temos que parar de ver a violência contra a mulher como uma paisagem, como se isso fizesse parte da vida doméstica de um casal. Devemos desnormalizar a violência”, enfatiza.
Mesmo denunciando e registrando, há casos em que as agressões se concretizam, como o que ocorreu com Eliza Samúdio, que chegou a gravar um vídeo denunciando as ameaças do goleiro Bruno.
Para a delegada, esse fato assim como tantos outros, se explica pelo fato de que a mulher não vê o agressor como um inimigo. “Ela baixa a guarda quando o agressor fala ‘vamos conversar?’, mesmo aquelas que estão decidas a não voltar.
De acordo com o DEAM somente em 2011 foram registrados 6.542 denúncias. Em 2012, lideram a lista lesão corporal com 2149 registros, e casos de ameaças com 2.329. Os companheiros são os principais agressores. Mas, de acordo com a delegada, os números são maiores que os apresentados pela DEAM e destaca. “O número é bem maior, por que não estão contabilizados os das seccionais”.
Aos primeiros indícios de agressões, a delegada orienta que a mulher deve registrar um boletim de ocorrência em casos de violência psicológica, moral, patrimonial, sexual ou física.
(Diário do Pará)
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