Há 14 anos, Jorge Minowa viu sua rotina mudar. Após descobrir que sofria de insuficiência renal crônica, teve que deixar o emprego e começar a se submeter a um tratamento que exige sessões de hemodiálise três vezes por semana. “A maior dificuldade é ter que ficar na máquina (de hemodiálise), só melhoraria um pouco com o transplante”, conta.
Mesmo com a longa espera pelo transplante, ele não perde as esperanças de melhorar sua qualidade de vida. “Minha família me apoia muito, é dai que tiro forças porque tem gente que entra em depressão. Estou há 14 anos na fila de espera do órgão, é complicado porque muitas pessoas não se sensibilizam para doação”, diz.
Assim como Jorge, milhares de pacientes aguardam na fila para um transplante de rim. Somente no Pará, são 2.200, segundo dados da Associação dos Renais Crônicos e Transplantados do Pará. Todos os anos, o número de renais crônicos aumenta. “Em 2010, 380 pessoas estavam na fila de espera para transplante. Mesmo com 84 novas máquinas de hemodiálise tendo sido entregues, ainda temos 120 pessoas na fila de espera para fazer o tratamento”, afirma Belina Soares, diretora da associação.
DOENÇA
A doença renal crônica muitas vezes é descoberta apenas quando já está em uma fase mais avançada, quando o paciente já necessita fazer sessões de diálise. “O diagnóstico às vezes é tardio, quando já está irreversível. É preciso trabalhar na atenção básica à saúde, as pessoas também precisam se conscientizar da importância dos cuidados. Quem tem pressão alta e diabetes, por exemplo, já tem predisposição à doença”, alerta Belina.
Desde o último domingo, a associação realiza uma programação especial alusiva ao Dia Mundial do Rim, comemorado este ano no dia 14 de março. Até o próximo dia 17, em um shopping de Belém, serão realizadas ações de orientação sobre vida saudável e exames de urina, glicose e verificação de pressão arterial. “Com isso é possível verificar alguma alteração na função renal. É uma alerta para que as pessoas possam se cuidar e procurar um médico”, diz.
PROBLEMAS
Segundo Jorge, os pacientes que passam por sessões de hemodiálise no hospital Ophir Loyola estão enfrentando algumas dificuldades. “Lá só existe um aparelho para verificar a pressão arterial e são 18 máquinas, isso está causando o caos”, reclama. Ainda de acordo com o paciente, algumas cadeiras estão quebradas. “Tem quatro cadeiras quebradas. Da última vez fiz a sessão por três horas só porque a cadeira estava quebrada e minhas costas começaram a doer. O paciente fica muito prejudicado”.
Em nota, o hospital informou que “possui contrato com empresa que presta serviço de manutenção semanalmente, às terças e quintas-feiras. Atualmente apenas uma cadeira apresentou problema em uma das peças, mas a manutenção solucionará o problema ainda hoje. Quanto ao aparelho para a verificação de pressão arterial, o Hospital está devidamente abastecido”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar