Até o início de abril, o juiz Júlio Cézar Fortaleza de Lima, da 81º Zona Eleitoral de Garrafão do Norte, deve sentenciar a denúncia de crime eleitoral cujo representante é a “Coligação Unidos para Mudar”, de Maria Edilma Alves de Lima, candidata derrotada na última eleição municipal. Em audiência realizada na quarta- feira (13), duas das quatro testemunhas de acusação foram advertidas e readvertidas por falso testemunho na alegação de compra de votos por parte do prefeito reeleito, Francisco Chaves Franco (PMDB), o “Xavier”, da “Coligação Renova-se a Esperança”.
As testemunhas afirmam ter recebido quantias em dinheiro e em cheque para votar em Xavier. Antônio Ribeiro de Sousa diz ter recebido cheque de R$ 600 pelo voto. Ele alega que não sabe ler nem escrever e que por isso assinou recibo como prestação de serviço à Prefeitura no valor do cheque. Por duas vezes foi incentivado a falar a verdade sob pena de flagrante por falso testemunho. Benedito Cordeiro Santos alegou o recebimento de R$ 100 em dinheiro, pelas mãos da mulher de Xavier. João Sousa Melo, diz ter recebido R$ 100 em troca do voto. Já Antônio Reinaldo Cordeiro informou que recebeu cheque de R$ 2.500 de Apoliana Franco, filha do prefeito.
Na porta do Fórum do município, populares que apoiavam ambos os lados, fizeram-se presentes. Para evitar confusão, uma vez que os ânimos já estavam exaltados, todos que participaram da audiência foram escoltados pela Polícia Militar. O juiz requisitou que o cheque, supostamente devolvido sem provisão de fundos, fosse anexado aos autos, por ser considerado prova importante. Ao fim, deu prazo de dois dias para que as partes intimadas apresentassem suas alegações finais.
A representante da ação, Maria Edilma, que perdeu as eleições municipais para o cargo majoritário, não tem dúvida quanto o crime eleitoral. “A denúncia é verdadeira. O testemunho e o cheque existem. Houve compra de votos”. Segundo a procuradora municipal, Xavier avisou ao TCM que o prédio da Prefeitura que guarda os documentos solicitados está em obras, mesmo assim, disponibilizou os papéis que estavam acessíveis. “Os demais documentos vão ser apresentados ao TCM”, garantiu. Para Carvalho, a alegação de compra de votos é leviana. “Fica muito claro que foi armado”, considera.
(Diário do Pará)
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