Passados três dias da chegada dos corpos das dez vítimas do acidente com o bimotor em Monte Dourado no Centro de Perícias Científicas (CPC) Renato Chaves, o processo de tentativa de identificação dos corpos ainda está na fase de coleta de materiais genéticos tanto dos corpos quanto de familiares das possíveis vítimas. Durante a manhã desta sexta-feira (15), familiares de mais uma vítima foram ao local para fazer a coleta. Já o material genético dos parentes do piloto deverá ser coletado no próprio estado de origem da família.
De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística do CPC Renato Chaves e perito, Paulo Bentes, até o momento, já foram coletados materiais de mais de dez familiares. “Em regra geral, coletamos células de dentro da boca dos familiares para a realização do exame. Todos eles assinam um a permissão de cessão de material genético para a realização do DNA’, explicou, ao lembrar que a coleta de material de parentes que ainda não haviam sido realizadas na última quinta-feira, referentes a dois corpos, já estava sendo providenciada. “Vamos coletar o material de parentes de uma das vítimas ainda hoje e o material dos familiares do piloto será coletado pelo Instituto de Criminalística de Belo Horizonte, da onde ele era. Vão fazer a coleta lá e remeter para cá para que seja feita a comparação do DNA”.
Sobre o tempo mínimo previsto para a identificação dos corpos, de 30 dias, o diretor explicou que é decorrente das condições em que se encontram os corpos e da dificuldade de retirada de materiais que possam identificar o DNA das vítimas. “A dificuldade é que o volume de amostras é muito grande, o número de exames é muito grande”, ressaltou, ao lembrar que, em alguns casos, foram coletados materiais genéticos de mais de um parente de uma única vítima. “Quanto maior o número de parentes, melhor para a identificação. Temos dez corpos, se coletarmos o material de dois parentes por cada corpo, teremos que realizar em média 20 exames por cada cadáver”.
O diretor ainda ressaltou que, neste momento, a equipe responsável está coletando o máximo de material possível de cada corpo para que seja a analisada a possibilidade de identificação do DNA. Segundo ele, o trabalho está muito voltado para a coleta em ossos e músculos.
NÃO AUTORIZADO
O DIÁRIO entrou em contato com o Seripa (Serviços Regionais de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) I, responsável pelas investigações do acidente com o de prefixo PT-VAQ caiu e pegou fogo na noite do dia 12 quando eram transportados trabalhadores da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio do Jari, porém foi informado que ninguém estava autorizado a falar sobre o assunto. Ainda foi tentado contato com o Cento de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) que, através de sua assessoria de imprensa, informou que, conforme norma internacional, não se pode falar sobre o acidente no momento porque ele ainda está em fase de investigação. Também não há previsão de quando as investigações serão concluídas.
(Diário do Pará)
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