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Em Belém, é difícil encontrar endereços

Diante dos números sem continuidade e das ruas sem identificação, a entrega que era para ser feita em dez minutos se transformou em uma procura de meia hora. Saído do depósito de uma rede de supermercados com a missão de entregar uma geladeira na casa de

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Diante dos números sem continuidade e das ruas sem identificação, a entrega que era para ser feita em dez minutos se transformou em uma procura de meia hora. Saído do depósito de uma rede de supermercados com a missão de entregar uma geladeira na casa de um consumidor, o motorista Jorge Reis diz que nem sempre tem a sorte de encontrar a identificação adequada dos endereços de Belém.

Acostumado com a ausência de qualquer placa de denominação dos nomes das ruas em alguns bairros de Belém e com o descumprimento de qualquer sequência nos números de muitas residências, o motorista diz que já desenvolveu maneiras próprias de encontrar os endereços de forma mais rápida. Apesar disso, ele reconhece a dificuldade enfrentada durante o trabalho. “Os números não obedeceram a ordem crescente ou decrescente, não tem essa de lado par ou lado ímpar... Por causa dessas coisas, às vezes, uma entrega que era para ser feita em 10 minutos acaba sendo feita em 30. Gastamos muito tempo perguntando para um e para outro”.

SEM ORDEM

Ciente do não seguimento de qualquer ordem numérica nas casas da passagem Nova, entre as passagens Napoleão Laureano e Caraparu, no bairro do Guamá, o comerciante Júlio da Silva já fica atento à mudança do carteiro que costuma fazer a entrega das correspondências.

“Aqui não tem ordem. Só nesse pedaço aqui tem duas casas com número 14 e duas com 51, os números se repetem. Mas a gente não costuma ter problema porque o carteiro já conhece”, aponta. “Quando a gente vê que é um carteiro novo, a gente avisa logo”.

Em uma rápida passada pela rua, a desordem anunciada pelo morador fica aparente. De um lado da rua, os números das casas construídas lado a lado seguem uma sucessão que não diferencia os números ímpares dos pares e que é difícil de entender: 13, 5, 8, 10, 15, 55 e 38. Moradora de uma das casas de número 14, a dona de casa Antônia Ferreira também afirma nunca ter enfrentado problema.

“Não tem problema, não. Todo mundo já sabe onde é. As cartas chegam direitinho”, afirma, apesar de ressaltar um problema que também dificulta a identificação do endereço. “O que não tem aqui é aquela placa com o nome da rua. Aqui antes era Augusto Correia, mas colocaram passagem Nova. Tem 12 anos que asfaltaram aqui e nunca colocaram o nome da rua”.

Apesar de os moradores afirmarem que nunca enfrentaram problemas com a desorganização dos números, para os carteiros que precisam fazer a entrega, a ausência de uma identificação adequada é sinônimo de demora. Segundo o gerente de Atividades Externas dos Correios, Roberto Magalhães, não são poucos os problemas enfrentados. “Barreiro, parte do Bengui, o chamado Parque Verde, o Mangueirão, parte da Terra Firme e parte do Guamá são bairros que apresentam áreas sem identificação da rua e com a numeração totalmente irregular”.

Carteiros recorrem à memorização dos números

Para driblar as dificuldades, o gerente afirma que os carteiros precisam desenvolver maneiras de memorizar os números e as casas dos bairros em que costumam atuar. Estratégia, porém, que não soluciona por completo o problema. “Essa falta de sequência dos números, para a memorização, é terrível. O carteiro tem que se especializar naquele bairro, mas, quando ele sai de férias, a substituição é um problemão para os Correios, porque o carteiro novo vai se complicar no local”.

Segundo Magalhães, há uma regra da Prefeitura Municipal de Belém que determina como deve ser a sequência da numeração das casas. “Normalmente, eles fazem a sequência de dez em dez ou de cinco em cinco, mas eles usam mais a sequência de dez. Além disso, um lado tem que ser par e o outro tem que ser ímpar”.

Com os números 17, 54, 17 e 45 instalados em sequência em quatro casas da passagem Vera Cruz, no bairro da Terra Firme, não é difícil identificar que, no local, a regra também não é cumprida. Com a presença de dois números diferentes na casa onde mora, o 67 e o 88, a estudante Thálita Cristina reconhece que a confusão é comum. “Tem muito número igual e nenhum segue uma ordem. Aqui o que vale é o 67”, destaca. “É difícil de encontrar o endereço porque também não tem placa falando o nome da rua. Eles entregam muita carta em lugar errado”.

(Diário do Pará)

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