Policiais civis e militares do Pará, empenhados em combater a criminalidade, também estão sofrendo de insegurança: seus salários, segundo eles próprios, continuam baixos e distantes das necessidades de suas famílias, além da falta de melhores condições de trabalho.
Apesar disso, a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar nega que esteja articulando qualquer paralisação da tropa, como estaria sendo anunciado por setores insatisfeitos da corporação. A possibilidade de greve deixou em estado de alerta o comando da PM.
Já os policiais civis do Pará continuam em assembleia permanente, com indicativo de greve aprovado desde o último dia 1º, segundo confirmou o diretor jurídico do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Estado do Pará (Sindpol), Pablo Farah. Ele disse que, apesar do prazo dado pela categria até o último dia 15 para que o governo se manifestasse, a secretária de Administração, Alice Viana teria garantido que se reuniria com eles “a partir do dia 15”.
Hoje de manhã os policiais civis farão uma manifestação em frente à Sead para forçar uma negociação imediata com o governo. “Nós vamos esgotar todos os recursos de negociação necessários para que se chegue a um acordo que seja bom para todos, senão partiremos para a greve. A categoria vai decidir”, afirmou Pablo.
BOATO
O comandante-geral, coronel Daniel Mendes, por conta da boataria que circula desde o começo da semana passada, teria reunido com seus oficiais para saber se isso era verdadeiro. Ele recebeu informações de que a categoria confia nas negociações em andamento com o governo.
A dificuldade em manter contato com a assessoria de imprensa da PM – não fala por telefone e só responde a questionamentos de jornalistas por e-mail-, impediu o DIÁRIO de confirmar algumas informações chegadas à sua redação.
Os números, com relação ao salário na PM paraense, são desfavoráveis. Ele é o 23º pior do país, segundo levantamento do portal Terra, com salário base de R$ 2,1 mil. O maior é do Distrito Federal, que alcança R$ 4,7 mil, enquanto o pior é o de Roraima, que mal chega a R$ 900. Além de reajuste salarial de 100% e pagamento do adicional de interiorização, os PMs querem aumento da gratificação de risco de vida de 50% para 100% e aumento de 100% do auxílio moradia e creche.
“Se alguém pretende precipitar as negociações e ameaça entrar em greve, isso não parte da nossa entidade”, avisa um diretor da Associação de Cabos e Soldados. (com informações de Raimundo Sena)
Reivindicação de reajuste salarial de 30%
O Sindpol, porém, não esconde sua insatisfação. Os policiais civis querem reajuste salarial de 30%; incorporação de 100% do abono salarial ao vencimento base; ticket alimentação igual ao valor de uma cesta básica calculada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socio-econômico (Dieese) e progressão funcional automática.
A pauta também inclui gratificação de escolaridade via administrativa, gratificações de risco de vida, polícia judiciária e tempo integral de 70% para 100%, isonomia salarial entre os cargos de nível médio e superior, além de reajuste dos valores atualizados das diárias e plantões remunerados.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup) informou que a ameaça dos policiais de paralisação não é nova e que o secretário Luiz Fernandes já concedeu várias entrevistas sobre o tema. Em vista disso, não teria novas informações a fornecer. Qualquer paralisação, segundo setores dos gabinetes Civil e Militar do Palácio dos Despachos seria inoportuna e poderia prejudicar as negociações que estão em andamento entre a Sead e a entidade dos policiais.
(Diário do Pará)
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