Os consumidores estão preocupados com o reajuste de até 6% que os medicamentos vão sofrer, a partir do próximo dia 30. A alta foi autorizada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, ligada ao Ministério da Saúde, e deverá levar em consideração a expectativa de inflação, os ganhos da produtividade das empresas que produzem os fármacos e o preço dos insumos utilizados para a fabricação dos remédios.
Para o Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Pará, o aumento de preço dos medicamentos é arbitrário, pois cerca de 30% do valor, no qual são comercializados, é de impostos e isto pesa no bolso da população.
A notícia entristeceu ao paciente renal crônico Severino Rocha, 61, que há quatro anos faz hemodiálise. O tratamento é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que não cobre todos os medicamentos que precisa tomar. “Eu gasto, por mês, em média R$ 600 do que recebo apenas na compra de remédios”.
Entre os remédios que ele toma está um cuja caixa contendo sete comprimidos custa R$ 125, sendo que a medicação deve ser de uso contínuo.
A situação de Severino se torna mais preocupante porque ele possui uma saúde frágil e luta contra outras doenças, como diabetes. Além disso, ele ainda tem que cobrir as despesas domésticas.
CÂMARA
Até o próximo dia 30, a Câmara terá oficializado o percentual de reajuste. Até então, estima-se que o aumento varie de 2,70% para as categorias com quase nenhuma concorrência, até 6,31% para os de maior concorrência. Caso o novo valor seja alterado conforme estes percentuais, o reajuste médio será de 4,59%.
O presidente do Conselho Regional de Farmácias, Daniel Jackson Costa avalia que o reajuste do preço dos medicamentos seria justo se o governo retirasse os impostos que cobra em cada medicamento vendido. “Cerca de 20% a 30% do preço dos remédios são de tributos e isto os deixa mais caro. O CRF entende que a população deva questionar o aumento do preço”, disse.
(Diário do Pará)
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