Representantes do Conselho Regional de Enfermagem do Pará (Coren-PA) realizaram uma vistoria, ontem pela manhã, na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. No último sábado (16), um princípio de incêndio atingiu a central de ar da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da área de neonatologia do hospital.
Segundo o presidente do Coren-PA, Mário Antônio Vieira, um processo administrativo foi aberto para apurar as condições de trabalho dos profissionais. “As acomodações da Santa Casa, em função da grande demanda, estão quase sempre lotadas. São situações adaptadas e isso dá uma sobrecarga de serviço e sobrecarga também nas instalações elétricas”, disse o presidente.
Segundo ele, essas vistorias são constantes. “Sempre que fazemos a fiscalização, mandamos um relatório que mostra as dificuldades encontradas e as propostas do que deve ser implementado”.
A proposta do Coren-PA é fazer um encaminhamento ao Ministério Público, caso as normas sugeridas não sejam atendidas. “A engenharia clínica não está dando conta. Não tem um grupo para fazer a manutenção preventiva dos equipamentos, principalmente dos respiradouros e das bombas de infusão”, denunciou Vieira. Ele deu como exemplo o fato de ter observado dois e até mais respiradouros conectados numa mesma tomada que podem “sobrecarregar a rede”.
PROFISSIONAIS
O Coren-PA também foi cobrar informações sobre as condições de saúde de profissionais que estavam trabalhando no local na hora do incêndio e que ainda estariam internados.
A presidente da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, Eunice Begot, disse que o hospital “mantém seus contratos de manutenção de equipamentos em dia. Vamos disponibilizar para o Coren-PA. Nós estamos de portas abertas para receber qualquer conselho, vamos disponibilizar os cadastros, as escalas de servidores, tudo na maior transparência”.
Sobe a situação dos funcionários, ela informou que dos seis servidores internados, dois continuam hospitalizados. Ela garantiu que eles estão bem, que as vias respiratórias internas deles não foram atingidas pela fumaça, somente as vias superiores. “Hoje eu falei com eles e com familiares pelo telefone, está tudo sob controle”.
Begot determinou ainda que o serviço de Saúde do Trabalhador da instituição acompanhe o quadro desses servidores, “assegurando-lhes toda a assistência necessária, incluindo apoio psicológico”. Begot contou que as seis crianças que estavam em incubadoras na ala atingida pelo incêndio não sofrera qualquer dano graças à agilidade dos funcionários em socorrê-los. “Eles ficaram protegidos pelas incubadoras e estão passando bem”.
Sobre o incêndio, ela disse que o ar condicionado, tipo split, estava sobrecarregado, uma vez que “funciona 24 horas por dia”, num hospital que tem 2.800 funcionários e faz 600 partos e 3 mil atendimentos na área de obstetrícia por mês. “É a maior maternidade do país”.
(Diário do Pará)
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