Aos 29 anos, Bruno Wátila de Assis Nascimento, venceu mais uma etapa na difícil luta para reescrever sua própria história. Mesmo cumprindo pena no Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC), na Região Metropolitana de Belém (RMB), ele conseguiu a certificação para concluir o ensino médio, com a nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
O desempenho no Enem também lhe garantiu uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), no curso de licenciatura em Ciências Biológicas, em uma faculdade particular. Bruno é um dos 1.017 presos inseridos na educação básica articulada à educação profissionalizante e não formal, no Pará. No CRC, ele cumpre pena junto com mais de 300 detentos.
Quando foi preso, em 2008, Bruno cursava a 5ª série do ensino fundamental. Prosseguir os estudos na prisão não foi uma tarefa fácil, mas hoje ele reconhece a eficácia desse esforço. “A rotina da prisão despertou o interesse para concluir meus estudos. Mergulhei nos livros e participei de vários projetos de reinserção. A prova veio medir o acúmulo de conhecimentos e tudo deu certo”, contou.
O próximo desafio de Bruno é obter autorização judicial para cursar a faculdade, que começará em agosto. “Espero o aval da Justiça para que eu possa estudar e trilhar um caminho diferente daquele que me conduziu à segregação. Vou concluir o curso e ser um bom profissional”, acrescentou.
A Lei de Execução Penal (LEP) assegura ao preso o direito à educação. Anteriormente, a LEP previa a redução de pena somente pelo trabalho, mas essa possibilidade foi ampliada. Agora, o preso também recebe o benefício se estudar – a cada 12 horas de estudo é reduzido um dia no cumprimento da pena. Com isso, os internos podem acumular os benefícios do estudo e do trabalho, reduzindo ainda mais o tempo de privação da liberdade.
(Agência Pará)
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