O corpo do bebê que morreu na Santa Casa na madrugada da última segunda-feira, 18, foi submetido, ontem, a uma necropsia no Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. O exame irá diagnosticar as causas da morte.
A família suspeita que a morte esteja relacionada com o princípio de incêndio que atingiu a UTI Neonatal I da maternidade, no sábado, 16. A direção da Santa Casa descartou esta possibilidade e informou que a menina nasceu de um parto prematuro (6º mês de gestação), apresentava quadro de infecção, que seu estado de saúde era considerado grave e que ela não estava internada na UTI onde ocorreu o princípio de incêndio. O bebê viveu apenas cinco dias.
A tia da recém-nascida, Sueli Azevedo, relatou que era por volta das 4h30 quando uma assistente social da Santa Casa ligou para a casa da família e comunicou a morte do bebê. Ela disse que estranhou o fato de que, quando chegou ao hospital, o corpo da menina já estava na gaveta frigorífica (geladeira). “Se ela tinha acabado de morrer, não deveria estar congelada. A gente desconfia que ela tenha morrido no domingo (17)”, disse.
Foi Sueli quem registrou ocorrência policial na delegacia de Icoaraci, onde pediu a investigação sobre a morte do bebê. “A gente não sabia do incêndio, pode ser que a menina tenha inalado fumaça e, em consequência, veio a falecer, já que teve gente que passou mal lá dentro (UTI Neonatal) depois do acidente”, disse.
CPC
Ontem, o Centro de Perícias Científicas Renato Chaves enviou uma equipe à casa da família para remover o corpo da criança, que já estava sendo velado. O corpo foi liberado logo após a necropsia e deverá ser enterrado hoje, pela manhã, no cemitério de Icoaraci. Durante o exame, foram recolhidos materiais biológicos do bebê para que seja diagnosticada a causa da morte. O resultado está previsto para ser divulgado em dez dias, podendo ser prorrogado por igual período.
O bebê era o terceiro filho de Shirley Valéria Azevedo, 21, sendo o segundo a nascer de forma prematura – aos seis meses de gravidez. Segundo a irmã dela, Sueli Azevedo, foi feito cesariana por ser uma gravidez de risco. Shirley recebeu alta na sexta-feira, 15, um dia antes do incêndio na UTI Neonatal I.
Na versão contada por Sueli, o bebê ficaria internado no berçário 14 até ganhar peso, pois teria nascido pesando 1,345 Kg. “Os médicos disseram para ela (Shirley) voltar na segunda-feira para saber como a criança estava e se já teria alta”, relatou. “Nós não sabíamos do incêndio e por isso não procuramos saber notícias, já que na segunda-feira íamos ver como ela estava. Mas nos ligaram de madrugada dizendo que, infelizmente, a menina tinha morrido”.
A direção da Santa Casa contestou a acusação de que a morte da menina estaria relacionada com a inalação de fumaça, afirmando que a recém-nascida nasceu de um parto prematuro e arriscado, apresentando dificuldades para respirar.
Segundo a gerente de Enfermagem da Neonatologia, Rosana Nunes, a família tinha conhecimento do quadro grave de saúde da criança, que estava com infecção. “Na sexta-feira, 15, a mãe (Shirley) não esperou pela divulgação do Boletim Médico e foi embora sem dar notícias. Não visitou a filha nem no final de semana, para saber informações”, destacou.
Rosana ressaltou que as mães dos bebês internados na UTI Neonatal têm acesso livre ao hospital, podendo entrar, inclusive, fora do horário de visita. Na guia emitida pela Santa Casa para que seja dada entrada na certidão de óbito, consta que o bebê também apresentou um quadro de pneumonia.
Deputados verificam situação da UTI neonatal
Na tarde de ontem, um grupo de deputados visitou a UTI neonatal da Santa Casa para verificar as condições de funcionamento da unidade e investigar se a morte de dois bebês, entre segunda-feira e terça-feira, teria se dado em consequência do princípio de incêndio ocorrido no sábado. A direção da Santa Casa descartou tal possibilidade. Na visita foi observado que em alguns setores não tem água nas torneiras e há uma necessidade de mão de obra.
Durante a vistoria, os parlamentares constataram problemas estruturais no sistema elétrico e hídrico da ala materno-Infatil. O relatório da vistoria deve ficar pronto até a próxima semana, quando a comissão irá se reunir com o governo do Estado e a gestão da Santa Casa para discutir medidas para solucionar os problemas encontrados.
O deputado estadual Edmilson Rodrigues ressaltou que o déficit de funcionários no hospital foi uma das reclamações feitas pela equipe médica da Santa Casa.
A presidente do hospital, Eunice Begot reiterou que lamenta as mortes dos bebês, na noite de segunda-feira e na madrugada de ontem. “Eram crianças de alta complexidade, que nasceram de parto prematuro e que tinham dificuldades para respirar. Não está comprovada a relação entre a morte deles e o incêndio”, analisou.
(Diário do Pará)
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