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Chuva forte provoca estragos novamente em Belém

Com as chuvas que caíram desde a tarde da última terça-feira(19) sobre Belém, o dia de ontem (20) teve que começar mais tarde para o motorista Paulo Justino. Ainda na porta de casa imaginando como faria para passar pelo alagamento que tomou conta do cruza

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Com as chuvas que caíram desde a tarde da última terça-feira(19) sobre Belém, o dia de ontem (20) teve que começar mais tarde para o motorista Paulo Justino. Ainda na porta de casa imaginando como faria para passar pelo alagamento que tomou conta do cruzamento da avenida Castelo Branco com a travessa 14 de abril, no bairro do Guamá, ele não tinha perspectiva de quando sua rotina poderia iniciar. “Estou tentando ir na feira comprar comida para preparar pro almoço e ainda não deu”.

Sem que o acúmulo de água por boa parte da vida tenha sido novidade para o morador antigo do local, ele ainda se via sem saída diante do problema. “Vai atrasar todo o meu dia. Pra sair daqui agora, só pisando na água”, constatou, pouco antes de voltar para dentro de casa em sinal de desistência. “Qualquer chuva alaga isso aqui. Desde 5h tá tudo alagado e, pelo visto, isso vai durar o dia todo”.

Sem que a possibilidade de colocar o pé na água tenha sido considerada, a fiscal Eliana Pereira precisou definir algumas estratégias. Para chegar ao posto de trabalho, ela teve que dar à volta na rua, por onde a água ainda não havia chegado. “Essa água é imunda, só sujeira de rato. A gente fica inventando tudo pra não pisar nessa água”, revela. “Já pensou o que é uma pessoa querer sair pro seu trabalho, as crianças terem que sair pra escola e enfrentar isso aqui sempre que chove? Isso aqui não é de hoje”.

Morador do bairro do Marco há mais de 25 anos, o taxista Humberto Leite Filho é testemunha de que o acúmulo de água no encontro do canal da José Leal Martins com a travessa Timbó também não é recente. Acostumado com o alagamento em dias de chuva, ele acredita que o problema poderia ser resolvido. “O governo tem que tomar providência. Essa parte é mais baixa e a água desce toda pra cá. Ninguém sai nem de casa quando tá assim”, afirma. “Há mais de 25 anos vejo isso alagar. Os próprios moradores já estão colocando aterro aqui pra ver se para de alagar desse jeito”.

Alagamentos devem continuar

Há 23 anos também acompanhando o alagamento na travessa Mariz e Barros entre a passagem Acatauassú e o canal, a costureira Benedita Rosário já não tem o mesmo otimismo. “Não acredito que um dia o prefeito vai dar jeito nisso. Hoje ainda tá bom aqui que a gente ainda tá conseguindo ver parte da rua. Pra gente sair, tem que colocar uma botinha, qualquer coisa no pé pra tentar proteger dessa água”, disse. “Do jeito que tá essa chuva, isso aqui não vai vazar tão cedo. Daqui há pouco vai ser colchão, botijão, é tudo boiando aqui na rua”.

Depois de encarar o alagamento que já tomava a avenida João Paulo II, no bairro do Curió-Utinga, ainda na saída do trabalho, a operadora de caixa Gilmara de Jesus também se preocupava com o que encontraria quando retornasse. Sem que a chuva iniciada ainda na madrugada desse sinal de trégua, ela temia pelo pior. “Agora está até mais ou menos”, avaliava, mesmo diante dos muitos veículos que ficavam pelo caminho ao tentar atravessar o alagamento. “Se continuar essa chuva assim, isso aqui vai estar muito pior mais tarde.

Aqui a gente fica à mercê da chuva. Eu pego ônibus do outro lado [onde o alagamento era maior], mas vou aproveitar essa carona hoje para ver se consigo chegar no trabalho”.

Na contagem do vigia Antônio Batista, que chegou ao trabalho na esquina da rua Pariquis com a travessa Quintino Bocaiúva, no bairro de Batista Campos, antes do alagamento que encobria boa parte da via, a pior fase da chuva foi ainda às 7h. “Foi 7h que começou a alagar e, do jeito que tá, acho que só começa a baixar lá pela tarde”, previa. “Se parar de chover à tarde, quando eu sair, já vai ter secado”.

PREVISÃO

De acordo com o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) no Pará, José Raimundo, no que depender da chuva, alguns pontos de Belém continuarão tendo problemas de alagamento. Mesmo com a previsão de diminuição dos índices pluviométricos a partir de hoje, ele ressalta que a Região Metropolitana de Belém (RMB) continuará enfrentando as chuvas que vem sendo observadas nos últimos dias. “Vai diminuir, mas voltando a chover à tarde ou à noite. São chuvas de fraca intensidade”, afirmou, ao apontar que choveu o correspondente a 71 milímetros desde as 13h de terça-feira até a manhã de ontem. “Esse índice é normal pelo tempo e pela forma como foi distribuída. Foram 20h de chuva, com interrupções”.

Ainda que aponte a normalidade, de acordo com o diretor, com a chuva de ontem, o Estado ultrapassou a média esperada para todo o mês de março. “Os maiores índices foram percebidos às 2h e às 7h, quando choveu nove e seis milímetros [respectivamente]”, indicou. “A média esperada para março era de 447.8 milímetros e, com a chuva de hoje, já chegamos a média de 450 milímetros”.

(Diário do Pará)

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