O sítio Pimental, onde ficam os canteiros de obras da Usina Hidrelétrica Belo Monte, que passou o dia de ontem ocupado por índios, colonos e ribeirinhos, foi desocupado por volta das 20h, depois de uma reunião dos ocupantes, na sede da Casa de Governo, com representantes da Fundação Nacional do Índio, da Secretaria Geral da Presidência da República em Altamira (PA) e diretores da Norte Energia S/A. A desocupação foi confirmada pela Norte Energia em nota divulgada por volta das 22h.
Em relação aos colonos, os órgãos do governo federal em Altamira (PA) “deram os esclarecimentos” relacionados à remarcação das terras indígenas da Volta Grande do Xingu. Eles estão em processo de remanejamento da área Paquiçamba que vem sendo realizado pela Funai e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
“Diante dos esclarecimentos, a área invadida em Pimental foi totalmente liberada por volta das 20h de hoje (ontem), o que possibilitou a retomada dos trabalhos ainda durante o turno da noite”, informou a Norte Energia. A empresa afirma que o diálogo permitiu uma “negociação pacífica e a preservação total do patrimônio”.
MOVIMENTO
Segundo a Agência Brasil, o consórcio havia informado que os manifestantes não passavam de 60 pessoas, sendo dez índios, mas a informação da organização não governamental (ONG) Movimento Xingu Vivo para Sempre teria afirmado que eram 150 pessoas, incluindo índios das etnias Juruna, Xypaia, Kuruaia e Canela.
Segundo o Xingu Vivo, os manifestantes chegaram ao canteiro de obras por volta das 4h. Após bloquear o acesso de veículos ao local, o grupo pediu a presença de um porta-voz da empresa a quem pudesse apresentar suas reivindicações. Como a exigência não foi imediatamente atendida, índios, colonos e ribeirinhos decidiram ocupar o canteiro de obras.
Segundo a ONG, a ocupação foi um protesto contra o que os manifestantes classificam como descumprimento das condicionantes exigidas da empresa Norte Energia e também com a falta de informações sobre os reais impactos do empreendimento.
FAMÍLIAS
Entre os manifestantes, informou a ONG, havia oito famílias indígenas da comunidade do Jericoá que dizem nunca ter recebido nenhum atendimento por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Norte Energia.
Essas famílias contam que não conseguem mais pescar para sua subsistência, não têm acesso à água potável, não têm recebido as compensações devidas pela Norte Energia e que o sistema de transposição montado no Rio Xingu, próximo à aldeia, inviabilizou a navegação com as tradicionais embarcações indígenas. Já os ribeirinhos e colonos que vivem próximos às obras da futura usina cobram, de acordo com a Xingu Vivo, uma definição sobre a situação de suas terras e o fornecimento de energia elétrica.
A Agência Brasil informou ainda que a Força Nacional enviou policiais ao local, mas, segundo a assessoria do CCBM, não houve qualquer registro de tumulto ou violência.
(Diário do Pará)
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