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Baía do Guajará recebe as cinzas de Vicente Salles

Há mais de 40 anos morando no Rio de Janeiro, Vicente Salles tinha o desejo de ficar eternamente ligado à terra que tanto amava, e sua viúva, Marena, juntou-se aos amigos do historiador, antropólogo e folclorista, falecido em 7 de março desse ano, para at

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Há mais de 40 anos morando no Rio de Janeiro, Vicente Salles tinha o desejo de ficar eternamente ligado à terra que tanto amava, e sua viúva, Marena, juntou-se aos amigos do historiador, antropólogo e folclorista, falecido em 7 de março desse ano, para atender seu pedido. Hoje, 22, às 16h30, um ato de homenagem acontece na entrada da Estação das Docas, à beira da Baía do Guajará, onde serão despejadas as cinzas do paraense nascido em Igarapé-Açu.

Amigo de longa data, Gilberto Chaves recebeu um telefonema de Marena algum tempo depois da morte de Vicente pedindo para que a ajudasse a tornar realidade o anseio do marido. “Liguei para quem eu pude, chamei e disse que seria algo espontâneo. Não tem rito ou solenidade, nem microfone nem caixa de som. É uma homenagem que todo mundo que gosta dele vai fazer, todos podem ver e participar”, avisa. A viúva, que ainda mora no Rio, vem a Belém especialmente para a ocasião.

“O pedido mostra todo o amor que ele tinha pelo Pará”, reforça Chaves. Mesmo morando fora há muitos anos, Salles nunca cortou ligação com o Estado. O quinto volume da Série Restauro, que trata sobre o restauro do Theatro da Paz [ lançado ontem, no hall nobre do TP pela Secult], traz sua última contribuição em vida. “Provavelmente, o capítulo assinado por ele, uma crônica do tempo sobre o teatro, é o mais importante de todo o livro”, arrisca ele, que é membro-fundador da Academia Paraense de Música (APM), parceira da secretaria na publicação.

Gilberto adianta que vem mais homenagem a Vicente em abril com o concerto “A Música Paraense de Ontem e de Hoje”, com datas e locais ainda não definidos. “Combinamos esse trabalho por telefone e ele me mandou pelos correios tudo o que ele tinha para subsidiar esse projeto, também foi sua última contribuição em termos de pesquisa musical. Ele compartilhava comigo da ideia de mostrar que a qualidade da nossa música não é uma coisa nova, e sim, que já vem de anos, séculos”, justifica.

Vicente Salles contribuiu sempre com os programas do Festival de Ópera do Theatro da Paz. Foi a Niterói comprar todo o acervo do maestro italiano Ettore Bosio, o qual repassou ao Museu da Universidade Federal do Pará (Mufpa), e fez muitas outras doações.

(Diário do Pará)

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