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Falta incentivo para o primeiro emprego

O difícil acesso à educação em Marabá é apontado como uma das causas da vulnerabilidade dos jovens à violência. E a falta de incentivo do primeiro emprego para o jovem que busca novos horizontes na vida ainda é o principal problema que a sociedade de Mara

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O difícil acesso à educação em Marabá é apontado como uma das causas da vulnerabilidade dos jovens à violência. E a falta de incentivo do primeiro emprego para o jovem que busca novos horizontes na vida ainda é o principal problema que a sociedade de Marabá vive.

A coordenadora pedagógica da Escola Municipal João Anastácio de Queiroz, Cristiane Aquino, acredita que existe esperança se houver incentivo conjunto, principalmente quando se envolve a educação. Cristiane diz que conduz a escola em que trabalha com a mesma “intensidade com que aperta a mão dos visitantes”.
Para Cristiane Aquino, que vive o dia a dia e as dificuldades na educação, se as grandes empresas instaladas em Marabá, juntamente com programas de incentivo dos governos estadual e municipal, oferecerem programas de primeiro emprego e trabalho para menores aprendizes, a situação da violência em que o jovem vive exposto em Marabá será gradativamente anulada. “Muitos alunos reclamam que querem trabalhar, ajudar na renda da família, mas não têm oportunidades e isso acaba os desanimando”, disse a coordenadora.

A falta de atividades extracurriculares também são fatores que contribuem para a vulnerabilidade da juventude. “O jovem precisa ter algo para fazer quando sair da escola, precisa de aulas de capoeira, precisam fazer uma atividade esportiva e muitos deles ainda não têm isso”, complementou a professores. “Os jovens gostam de vir à escola, o problema é a falta do que fazer depois da escola”, informou ela.

ESPERANÇA

Com um sorriso que emana sinceridade, é difícil imaginar que um dia seu sorriso era menos frequente. Anderson Almeida é uma das vítimas da violência que ainda permeia pelas ruas e periferias de Marabá.
Aos 19 anos, ele entrou para a vida pregressa por conta de problemas da juventude, como a pobreza, separação dos pais, a falta de estudos e a falta de oportunidades de trabalho. As amizades levaram Anderson a experimentar as drogas. “Meus amigos só me aceitavam se eu fosse como eles”.

Na época, há dois anos, Anderson estudava à noite. Ele mesmo conta que durante o dia “não queria saber de nada. Só queria saber de estar no mundo, entre meus amigos errados e conhecendo pessoas erradas”.
O que mais dava a falsa sensação de liberdade que Anderson pensava ter era o fato de ele saber que “a qualquer momento poderia morrer”, por às vezes não poder pagar as dívidas que geralmente o usuário de drogas tem com os traficantes. “Nessas horas eu não tinha prazer em nada, não tinha mais vontade de viver. Eu era uma pessoa muito errada. Quem olhava para mim tinha medo”. Anderson Almeida participa de um projeto implantando pelo pastor Sales Batista e coordenado pelo pastor Edinaldo Sousa Alves, da Assembleia de Deus Missão da congregação Gunnar Vingren, em Marabá.

O projeto, segundo o pastor Edinaldo Alves, já beneficia cerca de cinco mil jovens em bairros da periferia e visa a integração e inclusão desses jovens por meio de projetos sociais. “Não usamos um centavo do dinheiro do governo para esse projeto, são doações de membros da igreja”, declara o Pastor. Anderson é um dos braços direitos do pastor Edinaldo no projeto. É também baterista do grupo musical da igreja, onde é assíduo, e foi promovido na empresa onde hoje sente orgulho de trabalhar.

Município aposta na escola para ajudar jovens

O prefeito de Marabá determinou a matrícula de todas as crianças na rede municipal de ensino, independente da capacidade física das escolas. A determinação resultou na matrícula de 5.380 novos alunos. Desse total, quase 1.200 são jovens de 12 a 19 anos.

Para o secretário interino de Segurança Institucional da Prefeitura de Marabá, capitão Emmet Alexandre, o que tem que acreditar e o que deve ser feito “é uma força-tarefa unindo os órgãos de segurança, chamando a comunidade também; fazer conselhos de segurança; unir a questão educacional e familiar, com apoio de assistentes sociais, pedagogos e sociólogos”.

De acordo com Benildo Alves Rosário, coordenador responsável pelo Departamento Municipal de Transporte Urbano (DMTU), está sendo implantado um sistema de fiscalizações rotineiras com blitz no trânsito da cidade.

Além disso, segundo Benildo, o departamento recebeu no final do mês de fevereiro novas viaturas doadas pela Vale que serão utilizadas para fiscalizações em balneários e festas nos fins de semana. “Independente do resultado desse relatório (o Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência), desde o início do ano estamos trabalhando, inclusive com patrulhões aos finais de semana, para coibir a violência no trânsito em Marabá”, disse o coordenador.

O DMTU atuará também, segundo Benildo Rosário, com um programa chamado “Ronda Escolar”. O programa tem a finalidade de fiscalizar com os agentes de trânsito e da Guarda Municipal as entradas dos alunos nas escolas de Marabá, acompanhando a chegada deles nos horários de entrada e saída desses locais.

O objetivo, de acordo com o coordenador, é fiscalizar possíveis irregularidades, como jovens pilotando motos sem habilitação ou capacetes, mototaxistas com crianças, e orientar o trânsito quando jovens atravessam as ruas. “Já agendamos reuniões em algumas escolas, onde iremos conversar com os pais dos alunos e fazer uma palestra explicando sobre esse projeto”, disse o coordenador.

(Diário do Pará)

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