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Vizinhos de casas penais convivem com o medo

Da sacada acessada pelo apartamento, o pedreiro Amadeu de Oliveira tem a visão do local que já serviu, algumas vezes, de rota de fuga para o Centro Socioeducativo Masculino (CSEM), localizado no bairro do Sideral, em Belém. Com a função de reforçar as gra

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Da sacada acessada pelo apartamento, o pedreiro Amadeu de Oliveira tem a visão do local que já serviu, algumas vezes, de rota de fuga para o Centro Socioeducativo Masculino (CSEM), localizado no bairro do Sideral, em Belém. Com a função de reforçar as grades instaladas como tentativa de segurança, ele não esconde o desconforto diante da possibilidade nem tão incomum de avistar as puladas de muro. “Eles pulam pra esse terreno abandonado aí, ficam nesse mato e fogem pra cá”.

Morador antigo no Bairro, o pedreiro lembra bem das vezes em que ficou sabendo de fugas realizadas por adolescentes de 16 e 17 anos que cumprem medida socioeducativa no local que é de responsabilidade da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa). “Esses dias eles fizeram uma confusão aí. É um perigo! Com certeza a gente não se sente seguro”, constata. “A gente tem que manter o portão o tempo todo fechado pra eles não entrarem para cá numa fuga dessas. Eu fico aqui em cima fazendo o serviço e fico preocupado de eles pegarem a gente desprevenido”.

Com a fachada do comércio virada para a frente do terreno por onde as fugas costumam acontecer, o comerciante Wellington Freire também não descuida. Sem que as fugas no local lhe pareçam novidade, ele faz questão de vender os produtos da mercearia apenas por detrás da grade que mantém trancada durante todo o dia. “A gente não fica seguro de jeito nenhum. Quase toda semana tem fuga aí”, afirma o comerciante que já mora há15 anos no local. “Não fica ninguém nesse terreno e eles pulam pra aí. De vez em quando a gente vê eles correndo por aí. Às vezes tem até criança brincando na rua que eles podem fazer refém”.

Sem que esconda a preocupação com a segurança da própria família, Wellington não hesita em opinar sobre o que poderia ser feito para evitar o problema. “Tinha que ter uma guarita aí, que eles pudessem olhar quando tivessem fugindo. Às vezes eles fogem e o pessoal aí de dentro nem fica sabendo. Só vão saber quando vão fazer a conferência no final do dia já”, acredita. “Há 15 anos nem existia esse presídio aí. Agora a gente vive o tempo todo na grade”.

Também moradora da Quadra 24, onde fica o muro do terreno por onde os internos costumam fugir, a dona de casa Maria Madalena mal consegue disfarçar a desconfiança diante da aproximação de qualquer pessoa. Moradora antiga do bairro e já aos 71 anos de idade, o que ela mais esperava, era chegar à ‘melhor idade’ se sentido segura pelo menos dentro de casa. “A gente vive tudo com medo, correndo pra entrar em casa logo. Não se pode mais sair nem de casa”, destaca, sem esconder a ânsia por voltar para detrás das grades de casa o mais rápido possível. “Não dá para se sentir seguro desse jeito. Às vezes eles ficam aí nessa árvore depois que pulam o muro. O nosso medo é que acabem fazendo a gente refém. A gente fica inseguro”.

Motivadora do desabafo, a insegurança é o que mais tem preocupado Etelvina Valente, moradora do conjunto Ariri Bolonha. “Já vivi momentos de pânico, tiros, correria, agentes prisionais pedindo pra entrarem em nossas casas, fora que um destes fugitivos, pulou pro quintal de uma vizinha, que, em pânico, correu gritando para a rua”, conta, ao lembrar que o conjunto que também fica às proximidades do CSEM já foi mais tranquilo. “O conjunto Ariri Bolonha foi construído para contemplar os funcionários públicos estaduais, aqui moram muitos policiais, bombeiros, guardas municipais e muitos deles já venderam suas casas por não terem sido oferecidos condições básicas. Questiono a construção destas entidades, em áreas residenciais, seria muito mais propício terem como vizinhos os quartéis, delegacias”.

O comerciante Edilson Sarmento não esconde que já teve conhecimento de várias no local. “Ano passado fugiram nove, mas eles foram embora”, lembra, diante do muro cercado por arame farpado. “Não nos preocupamos muito com as fugas porque, geralmente, eles fogem e querem ir logo embora,mas fuga, sempre tem”.

(Diário do Pará)

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