O mercado oferece um leque de possibilidades, cores, sabores, tamanhos e texturas. Por tradição, os ovos de chocolate devem ser abertos hoje, no domingo de Páscoa. Há quem queria comer tudo de uma vez. Outros preferem deliciar-se e acabam guardando o doce na geladeira, para saborear de pouquinho em pouquinho. A recomendação é consumir, no máximo, 50g por dia. As crianças podem ingerir só metade dessa quantidade.
Rico em calorias, gorduras e açúcar, o chocolate também é visto como sinônimo de felicidade, por conter substâncias precursoras da serotonina – responsável por sensação de bem- estar e prazer. A ele também são agregados valores como a redução de risco de doenças cardiovasculares. A recomendação é não exagerar.
Mas como explicar isso para as crianças? Esse é o desafio de Ana Paula Andrade. Filho único, Miguel Andrade Lobato, 4 anos, ganhou ovos de Páscoa de toda a família, desde que os doces começaram a ser disponibilizados nas lojas e supermercados. “E ele, claro, quer comer todos”, preocupa-se a mãe. Sempre rodeado de mimos, receber guloseimas é quase rotina. Em contraponto, a alimentação do garoto é saudável. Ele leva frutas para o lanche na escola e não toma refrigerante. Por isso, Ana Paula permite que Miguel extrapole nos chocolates. “A gente não consegue podar e acaba deixando” justifica.
Chocólatra assumida, Ana Paula não tem coragem de dizer não para o filho quando o assunto é chocolate. “Não tiro esse prazer dele”, revela. O cuidado é para que Miguel não coma a caixa inteira.
Dividir não está nos planos do pequeno Luiz Felipe Tavares Monteiro, de dois anos e oito meses. O menino transbordou felicidade quando a mãe finalmente abriu o ovo de Páscoa. “O que tem mamãe, o que tem aqui?” perguntou curioso ao balançar o doce. Os brindes são o atrativo no momento da compra. São eles que impulsionam as vendas e fazem a cabeça da criançada. A procura por ovos que estampam personagens do imaginário infantil é altamente perceptível.
Por recomendação médica, a mãe Maria Helena Tavares, 27, impõe limites. “Eu não deixo ele comer muito doce, e, se for comer, só depois do almoço ou jantar. Nunca antes das refeições!”, pondera. Não é todo dia que Luiz Felipe tem o prazer de se lambuzar com chocolate. A gostosura só é permitida aos finais de semana. A determinação foi da pediatra. “Ela dizia que só depois dos dois anos que era para liberar o chocolate e só de vez em quando”, lembra a mãe. Com o sistema imunológico ainda em formação, antes de um ano, dar chocolate aos filhos pode trazer problemas, afirmava a profissional. “Nós poderíamos perceber no futuro alguma alergia”, diz a mãe zelosa.
No primeiro ano de vida, qualquer acréscimo de açúcar deve ser evitado. “Até mesmo em sucos. Não incentive nada que tenha memória para o doce, visando prevenir doenças como a obesidade, diabetes e hipertensão”, aconselha Rejane Cavalcante, presidente da Sociedade Paraense de Pediatria (Sopape). Como o chocolate é uma cultura enraizada do brasileiro, a pediatra pede para que os pais não permitam que os filhos comam quantidades enormes do doce. “Tem que dividir no período pós- Páscoa e não acabar tudo em um só dia”.
A nutricionista Suzele Lima de Souza estende o período para a introdução do chocolate. “Os doces devem ser oferecidos em momentos eventuais e de forma moderada para as crianças, evitando seu consumo para os menores de três anos”, ressalta. A alimentação saudável deve ser incentivada, reprimindo patologias como a obesidade infantil. Os hábitos da família manifestam-se na rotina e comportamento das crianças.
A jornalista Paloma Andrade, 33 anos, mãe de Amaya e Davi Andrade, de 5 e 2 anos, respectivamente, tenta fazer com que os filhos não transformem-se em chocólatras, como ela. “Evito durante e deixo mais para o final de semana”, restringe. Porém, nem sempre a norma é levada ao pé da letra. “Não é uma regra assim tão severa”, diz.
Pelo menos três vezes por semana a família consome chocolate. “A gente come bastante, sim”, confessa. Nem sempre o chocolate está presente em casa. Às vezes, Paloma “dá um tempo”. E quando tem, ele não fica visível para as crianças. “A gente esconde, não pode ficar na geladeira. Se deixar à mostra, acaba tudo, já era”.
A nutricionista Suzele Souza atenta para a frequência com a qual o doce é consumido. Os adultos devem ponderar antes de oferecer às crianças. “É importante estimular hábitos saudáveis nos pequenos, as crianças apenas sofrem influências e recebem o que os adultos incentivam para consumo”, pontua.
(Diário do Pará)
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