Um mundo fragmentado e difícil de decifrar é o que as crianças autistas enfrentam. O transtorno de desenvolvimento, que atinge cerca de uma em cem crianças, ganha programação especial nesta terça-feira (2), quando se comemora o Dia Mundial de Conscientização do Autismo.
A programação contará com palestras ministradas pela a coordenadora do Ambulatório de Autismo do Hospital Bettina, Amira Figueiras; a cineasta Julia Ruffino; a psicóloga Maria Elisa Granchi Fonseca e o consultor Licoln Macedo Moreira de Oliveira, especializado em Educação e Reeducação Psicomotora, pela Universidade do Estado Rio de Janeiro.
Segundo a pediatra Amira Figueiras, a síndrome é uma alteração cerebral que afeta a capacidade da pessoa se comunicar, estabelecer relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente.
O DOL conversou com a pediatra para saber mais sobre o autismo.
DOL – O que é o autismo?
Amira Figueiras - É um distúrbio no desenvolvimento da criança. Ela causa transtorno na comunicação, alguns apresentam dificuldade de falar; provoca transtorno de interação, a criança costuma se isolar; outras crianças, presas a comportamentos repetitivos e rotineiros; alguns também apresentam dificuldades sensoriais, não gostam de abraço, aconchego.
DOL – Qual a reação dos pais quando recebem a notícia que o filho é autista?
A.F - A reação dos pais varia muito. Quanto mais esclarecidos são os pais pior é sua reação. Alguns não querem aceitar, outros ficam inicialmente muito depressivos. Quando eles não sabem o que é o autismo aceitam melhor o diagnóstico e com o passar do tempo vão percebendo pouco a pouco as limitações do seu filho.
DOL – Por que é importante detectar o autismo cedo?
A.F - Quanto mais cedo é feito o diagnóstico e iniciado terapias adequadas, melhor é o prognóstico desta criança, ou seja, as terapias atuam melhor enquanto o cérebro está em crescimento e nossos neurônios estão formando as conexões entre si.
DOL – Como se define o tratamento?
A.F – O tratamento é multiprofissional, envolvendo além do médico uma equipe com fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, professores, etc.. O envolvimento da família também é muito importante no sucesso do tratamento. Este tratamento é individualizado, pois cada criança autista apresenta características próprias.
DOL - O autismo tem cura?
A.F - Apesar dos resultados extraordinários de alguns casos de tratamento precoce e de auto superação, não se pode dizer que o autismo tem cura. Entretanto, algumas pessoas com autismo podem ter uma profissão, independência econômica e constituir família.
Serviço: Para informações sobre a programação e também quiser fazer inscrições pode visitar o site www.ongamora.org ou ligar para os telefones: (91) 3351-3949 / 9613-8513. Para entrar em contato com o Serviço Caminhar, do Hospital Bettina, ligue: (91) 3201 8572/3201 8590.
(Antonio Santos/DOL)
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