Belém ficou em 7º lugar no ranking das capitais brasileiras com mais armas de fogo no Brasil. Atrás de seis microrregiões do nordeste, a cidade aparece em primeiro lugar entre as microrregiões do Norte. Em 2010, a taxa de homicídio na Região Metropolitana chegou a 78,9 para cada 100 mil habitantes. Os números são do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e foram divulgados ontem, no Rio de Janeiro, durante o evento “Armas e Homicídios: Dois Anos do Massacre de Realengo”, realizado em parceria com o Instituto Viva Rio.
O Ipea usou a proporção de suicídios e homicídios por arma de fogo, em relação ao total, para microrregiões do Brasil com mais de 100 mil habitantes. Como uma microrregião pode conter mais de uma cidade, o “Mapa das Armas Nas Microrregiões Brasileiras” levou em consideração Belém e municípios da Região Metropolitana. Itamacará, em Pernambuco, cuja população era de 165 mil em 2010, ficou em primeiro lugar no ranking. A cidade apresentou taxa de homicídio de 60.3 para cada 100 mil habitantes. Barreiras, na Bahia, ficou entre as cidades brasileiras com menos armas, com população de 286 mil e taxa de homicídio de 0.7 para cada 100 mil pessoas há três anos.
Enquanto a taxa média nas microrregiões com mais armas de fogo foi de 53,3 homicídios para cada cem mil habitantes, no grupo com menos armas foi de 7,2 para cada 100 mil pessoas. O estudo conclui que “há evidências de que a difusão da arma de fogo concorre para o aumento da taxa de homicídios nas localidades e não possui efeito sobre a taxa de crimes contra a propriedade”.
Para chegar ao resultado do estudo, o Instituto avaliou a proporção de suicídios e homicídios cometidos com o uso da arma de fogo, em relação aos incidentes totais, em cada microrregião. Baseado na análise sobre a procedência de milhares de armas apreendidas e acauteladas na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, o Instituto conclui que mais de 90% das armas usadas em homicídios são de origem nacional e estiveram em algum momento no campo da legalidade.
A Campanha do Desarmamento começou em 2003 e continua normalmente. Em 2012 foram entregues 92 armas de fogo no Pará. De 2000 a 2010 houve um aumento de 398,5% nos homicídios no estado, o maior do Brasil. De 526 homicídios em 2000, o número chegou a 2.622 em 2010, de acordo com o Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos.
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) já havia se pronunciado, chamando atenção de que a pesquisa reflete a realidade de 2010 e não a atual. A Segup diz ainda que reduziu em 35% o número de latrocínios de 2011 para 2012. Ainda de acordo com a Segup, na comparação entre 2011 e 2012, o Estado foi um dos quatro com maior diminuição no número de homicídios dolosos.
Números são frios diante de tristrezas e impunidade
“A gente vive em readaptação pra tentar recuperar a vida que um dia a gente viveu”. O desabafo de Iranildes Russo, 61, mãe do promotor de eventos Gustavo Russo, 27, é a síntese do sentimento que se instala em quem perdeu um ente querido para a violência. Há oito anos, seu filho foi morto por Policiais Militares na Avenida João Paulo II. Contraditoriamente, a polícia pretendia libertar Gustavo de Lucivaldo Ferreira que, em fuga, mantinha o rapaz como refém.
Dos oito PMs julgados pelo assassinato, três foram absolvidos. Cinco foram condenados, mas, segundo Iranildes, recorrem às sentenças em liberdade. Para lutar contra a impunidade e buscar suporte em quem vive angústias como a dela, Iranildes fundou o Movimento Pela Vida (Movida). Atualmente, a ONG reúne cerca de 100 familiares que se encontram para dividir histórias e consolos.
(Diário do Pará)
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