Se depender do Governo do Estado, o trecho da Ferrovia Norte/Sul em território paraense terá pelo menos três estações de embarque e desembarque, para cargas e passageiros, e deverá contemplar, no seu traçado, o potencial de desenvolvimento de importantes polos econômicos do sudeste e do nordeste do Estado, com ênfase para os municípios de Rondon do Pará e Paragominas. Coincidentemente, os dois municípios são administrados pelo PSDB e abrigam hoje empreendimentos minerais de grande porte.
A posição do Governo do Pará foi explicitada em ofício assinado anteontem pelo então governador em exercício, Helenilson Cunha Pontes, e dirigido ao diretor da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) Carlos Fernando do Nascimento. Na correspondência, somente ontem divulgada pela Secretaria de Comunicação do governo, o Estado coloca também à disposição da agência a sua equipe técnica para ações conjuntas objetivando a melhor definição do projeto.
Em relação ao município de Paragominas, onde está em lavra uma mina de bauxita, o ofício assinado por Helenilson Pontes assinala que o empreendimento da Norsk Hydro trouxe para o Estado do Pará “o mais moderno parque industrial do mundo no segmento de alumínio”. Nessa avaliação estão contempladas também a refinaria de alumina da Alunorte e a fábrica de alumínio em lingotes da Albrás, ambas instaladas no distrito industrial de Barcarena, em área contígua ao complexo portuário de Vila do Conde.
Já em Rondon do Pará, conforme destacou a correspondência endereçada à ANTT, deverá ser levado em conta, na definição do traçado da ferrovia, o projeto da Votorantim Metais para exploração de uma mina de bauxita e a implantação de uma refinaria de alumina. Esse empreendimento tem seu estudo de viabilidade já em fase bastante adiantada.
Ainda de acordo com Helenilson Pontes, outro aspecto a ser considerado no projeto é a ligação da Estrada de Ferro 151, via ramal ferroviário, à rota do futuro condomínio portuário e industrial do Espardate, no município de Curuçá.
A recomendação, justificou o governador em exercício, prende-se ao fato “de se tratar de um local na costa atlântica paraense altamente viável por sua localização estratégica e vantagens competitivas incomuns na Amazônia”.
O ofício, através do qual ele solicitou ainda à ANTT o encaminhamento, ao Executivo estadual do Pará, do traçado em estudo para a ferrovia, foi redigido com um teor estudadamente genérico, evitando expressões impositivas e tangenciando reivindicações que pudessem ser interpretadas como exigências, mesmo que eventualmente cabíveis.
Para um técnico com experiência no setor, a posição do Estado não poderia ser mesmo diferente, já que se trata de um projeto ainda em estudo e de custo sabidamente elevado – cerca de R$ 2,6 bilhões para um traçado de aproximadamente 470 km ligando a Ferrovia Norte/Sul, na cidade maranhense de Açailândia, ao porto de Vila do Conde, em Barcarena. “Não dá para brincar de fazer vicinal ferroviária a um custo de 3 milhões de dólares por quilômetro”, argumentou.
(Diário do Pará)
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