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Corrente de solidariedade pelo aleitamento materno

A forma mais simples, eficaz e completa para tornar um bebê saudável é alimentá-lo com leite materno, pelo menos até os seis primeiros meses de idade. Durante essa fase, o leite é fundamental para que os recém-nascidos tenham menos riscos de sofrer enferm

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A forma mais simples, eficaz e completa para tornar um bebê saudável é alimentá-lo com leite materno, pelo menos até os seis primeiros meses de idade. Durante essa fase, o leite é fundamental para que os recém-nascidos tenham menos riscos de sofrer enfermidades e infecções que podem levar até à morte. Além disso, o momento da amamentação favorece um contato mais íntimo entre a mãe e o bebê, num ato de amor que contribui sensivelmente para que a criança tenha um bom desenvolvimento e se torne um adulto também com saúde.

Contudo, infelizmente, nem todos os recém-nascidos podem contar com o provimento de leite direto das mães - que, por doenças ou outros motivos, se encontram inaptas para a amamentação. Prematuros ou muito frágeis, eles dependem da solidariedade de outras mulheres, que doam parte do leite produzido para salvar a vida desses pequenos.

Mas para que a doação chegue ao destino final é necessário um longo trajeto, mantido por entidades governamentais, colaboradores e voluntários, unidos em prol do objetivo comum: salvar vidas.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem a maior e mais complexa rede de banco de leite humano no mundo, com 212 bancos e 110 postos de coleta espalhados por todas as regiões. Mas o volume coletado representa de 55% a 60% da real demanda por leite materno no país.

No Pará, a iniciativa surgiu em 2001, numa parceria entre a Fundação Santa Casa de Misericórdia e o Corpo de Bombeiros. Graças à rede de solidariedade, o projeto Bombeiros da Vida promove a coleta em domicílio de leite em seis municípios da Região Metropolitana de Belém e Castanhal, sempre de 2ª a 6ª feira, ao longo do dia.

Atualmente, o projeto conta com 18 militares e sete voluntários civis, jovens de 18 a 22 anos que recebem um salário mínimo para trabalhar na iniciativa, e 30 funcionários públicos, entre eles nutricionistas, pedagogos, psicólogos, especialistas técnicos de análises e assistentes sociais. Em 2012, a equipe conseguiu coletar 3.196 litros de leite.

O tenente Márcio Souza, subcoordenador do projeto, explica que existe uma análise clínica preliminar das doadoras, que leva em conta doenças como diabetes ou existência do vírus HIV. Já os exames mais detalhados são feitos pelo Banco de Leite, de posse do material. Antes de o bebê receber o leite doado, o alimento passa por um processo rigoroso de manipulação e análise, para eliminar bactérias, vírus e outras impurezas, e só depois está próprio ao consumo. É um cuidado intenso, atenção redobrada para que nada perca a qualidade ou comprometa a saúde da criança.

“As doadoras permanecem ativas por quanto tempo tiverem leite em excesso, o que pode ultrapassar até um ano. Afinal, o estímulo da amamentação favorece a produção natural de leite. Não há um perfil preferencial de doadoras, todas são bem-vindas, mas 99% delas são de baixa renda”, admite. As participantes recebem tratamento exemplar e atencioso. Tudo para mantê-las à vontade e incentivar a participação contínua no projeto. A visita logo se torna, então, um momento de alegria, conversa e até amizade.

“Nosso primeiro passo é a conversa, explicar o que é e como funciona o projeto. Depois, entregamos todos os aparatos necessários à mãe e orientamos como ela deve tirar o leite”, diz o tenente. Com o kit, a mãe coloca a máscara, procura um lugar tranquilo, longe de outras pessoas, põe as luvas, lava o seio com água, retirando qualquer resíduo dos mamilos, e inicia a massagem circular. Os três primeiros jatos de leite são descartados. Depois deles, ela pode iniciar o processo de coleta, diretamente no frasco.

“É essencial mantê-los [os recipientes com leite] no congelador. Eles têm que ficar como um picolé”, explica. O leite fica armazenado na casa da doadora por no máximo uma semana. Além da matéria prima, o programa também aceita doações de recipientes para coletas, que são frascos de vidro, tamanho pequeno e médio, em produtos como café instantâneo e maionese.

BEBÊS A SALVO

Quando deixou os trabalhos de resgate e assistências em catástrofes, o tenente Souza sabia que a troca não seria menos honrosa. A forma de salvamento pode ser outra, mas também o enche de vigor e orgulho. “Me sinto ainda na área fim da corporação, porque continuo salvando vidas. Quando você vê os bebês na UTI, ou prematuros, tão pequenos quanto a palma da mão, você percebe a importância do ato. É uma satisfação enorme, me sinto realizado. Todos os dias agradeço às doadoras, ao Comandante Geral, à presidente da Santa Casa, à coordenadora do projeto... Enfim, é com ajuda de todos que conseguimos”.

Para ele a maior dificuldade não está no caráter individualista dos cidadãos, mas na divulgação dos programas solidários. “Acho que muitas pessoas gostariam de ajudar, mas não sabem como. Por isso, tentamos levar informação a todos os lugares. Quem conhece o nosso projeto, por exemplo, se apaixona e percebe a importância”, garante.

Com o intuito de expandir o Bombeiros para Vida, e aumentar o número atual de 373 doadoras ativas, a corporação traça novos planos. “Nossa meta é realizar rotas de coleta itinerantes. Ganhamos uma ambulância de resgate e estamos adaptando-a para ficar, por exemplo, três dias numa cidade recebendo as mamães. Algo semelhante ao que o Hemopa faz. Meu desejo é que o número de coletas chegue a mil litros num mês, que cada vez mais pessoas doem e, com isso, todas as crianças que precisam recebam seu alimento”, sorri.

Maria Alcione Resque, mãe que começou a doar leite oito dias após o nascimento do primogênito Felipe Bruno, se sentiu orgulhosa de participar da corrente de promoção do bem. “Se eu pudesse fazer parte desse projeto, eu faria devido à necessidade dessas crianças. Já tinha pensando até em começar uma campanha nas redes sociais para incentivar as pessoas a doarem também”.

(Diário do Pará)

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