Catadores de materiais recicláveis do lixão do Aurá voltaram a fazer protesto ontem. Por volta de 10h30, eles bloquearam a entrada do lixão com pedaços de madeira e pneus e impediram a passagem de caminhões de lixo. Na última quinta-feira, eles haviam feito um manifesto, que se estendeu por quase 10h.
Logo uma longa fila de caminhões começou a se formar na via de acesso ao lixão. No início da tarde, mais de 50 veículos estavam enfileirados, aguardando para descarregar o lixo. Os manifestantes afirmavam que o protesto só teria fim se o prefeito Zenaldo Coutinho aparecesse para conversar com os catadores. “Nossa mobilização não tem hora para acabar, só quando nos derem uma posição concreta”, disse Pandora de Áquila, integrante da comissão de catadores.
Segundo os catadores, O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) – assinado pelos prefeitos de Belém, Ananindeua e Marituba e pelo Ministério Público (MP), que propõe ordenamento quanto ao manejo e tratamento dos resíduos sólidos – não está de acordo com o que os trabalhadores desejam.
“Em março o prefeito veio aqui e prometeu conversar com a gente antes de qualquer coisa. Fomos pegos de surpresa. Querem que seja criada uma cooperativa, mas não queremos isso, estamos formando uma associação”, afirmou Ana Lúcia Moraes, que trabalha no lixão há 7 anos.
Os trabalhadores lutam para conseguir alguns direitos para que não fiquem desamparados quando o aterro sanitário for fechado, o que está previsto para acontecer até 2014. “Queremos uma indenização pelo tempo de trabalho ao meio ambiente que realizamos aqui”, disse Pandora. A estimativa é que cerca de 2.500 famílias trabalham atualmente no lixão do Aurá.
SESAN
Após quase duas horas de protesto, Janary Pinheiro, diretor do Departamento de Resíduos Sólidos da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), chegou ao local para conversar com os manifestantes. “O prefeito quer recebe-los hoje (ontem), às 17h, para debater todos os pontos do TAC, mostrar que eles (catadores) seriam beneficiados”, informou. Segundo o diretor, o TAC garante os direitos dos trabalhadores e foi elaborado junto ao MP, técnicos da Sesan e com a participação dos catadores.
Pouco depois das 12h, a tropa de choque da Guarda Municipal chegou ao local para dar apoio. A Polícia Militar já acompanhava o protesto desde o início. O protesto encerrou no início da tarde.
(Diário do Pará)
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