A noite do último sábado foi marcada por protestos em frente ao centro de convenções da Assembleia de Deus, em Belém. Enquanto o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, participava de um evento dentro do centro, do lado de fora, manifestantes de diversas entidades sociais realizavam um protesto pacífico e pediam a saída dele da Comissão.
Em frente aos portões, jovens com diversos cartazes, faixas e nariz de palhaço entoavam palavras de ordem e chamavam a atenção de quem chegava ao centro de convenções. “Não somos contra a fé de ninguém. Somos contra essa onda de opressão a negros e gays que é incitada por um pastor deputado que é presidente de uma comissão que deve proteger e não oprimir a minoria”, afirmou o estudante Anderson Castro, que segurava um cartaz com a mensagem “Fora, Feliciano”.
Alvo recente de polêmicas envolvendo racismo e homofobia, o pastor evitou falar com a imprensa. Dentro do centro de convenções, cerca de 15 mil pessoas acompanhavam de perto um culto comandado por Feliciano, que era ovacionado pelos fiéis, a cada conclusão de frase. “Para tristeza de alguns eu não vim aqui para falar de política e sim de evangelização, por isso eu só vou falar de coisa boa”, declarou o pastor.
Cercado por sete seguranças e diversos assessores, que proibiram os outros pastores de darem qualquer tipo de declaração. “Não adianta ninguém insistir. O deputado só vai falar oficialmente na terça-feira, em Brasília. A ordem é que ele ou qualquer outro pastor aqui não dê nenhuma declaração”, afirmou um assessor político de Feliciano, que tentava impedir o trabalho da imprensa.
Em frente aos portões, o protesto continuou até o final do evento evangélico, que terminou por volta das 22h. “A permanência do pastor Feliciano na comissão de Direitos Humanos é uma afronta às minorias e toda a sociedade brasileira. Ele não representa quem a comissão defende. E por isso não vamos nos calar. Mesmo sendo evangélica, ele não me representa, pelo contrário. O Marco Feliciano representa a total regressão política e humana no país”, ressaltou, Andressa Pereira, do movimento Anoyimus Pará.
(Diário do Pará)
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