Operários ligados ao Sindicato dos Trabalhadores da Construção Leve de Altamira, durante a última sexta-feira (5) e sábado (6), paralisaram as atividades em dois sítios do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Os trabalhadores pedem, entre outras reivindicações, 40% de adicional para todos os alojados nos canteiros, fim do sistema de folgas em dias aleatórios e nivelamento salarial de cargos iguais para todos os construtores da usina.
Além disso, os operários se queixam da má qualidade da comida e da intimidação causada pela presença de homens da Força Nacional armados nas dependências de Belo Monte. “Muitos homens ficam sem o café da manhã em função do horário do início do trabalho, e na sexta-feira encontraram até insetos vivos na comida. A presença das forças de repressão também incomoda muito, pois os trabalhadores se sentem em um presídio. Para se ter uma ideia, na última demissão de 80 operários, quem trouxe a lista de nomes foi a Força Nacional de Segurança”, explica Maria Serafim, presidente do Sindicato da Construção Leve de Altamira. A demissão a que a presidente se refere ocorreu no final de 2012.
RESPOSTA
Em nota, o Consórcio Construtor de Belo Monte admitiu a paralisação, mas informou que apenas 20% dos funcionários aderiram ao protesto, que não paralisa as obras.
O CCBM informa que se recusa a negociar com os manifestantes, pois “reconhece como único e legítimo representante de seus trabalhadores, na área de construção civil pesada, o Sintrapav-PA (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada do Pará)”.
A paralisação, portanto, seria parcial e visando garantir a segurança dos operários. O Consórcio informa que, no final de 2012, foi firmado acordo entre CCBM e sindicalistas e que ele está sendo cumprido integralmente.
Ainda no sábado, o CBBM teria obtido ordem judicial da 1ª Vara Cível de Altamira garantindo a desocupação dos canteiros e retorno das atividades. O DIÁRIO tentou entrar em contato com a assessoria de imprensa do consórcio para obter maiores esclarecimentos, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta edição.
Na última quinta-feira (4), o Ministério Público Federal pediu à Justiça, mais uma vez, a suspensão da licença de construção da usina até que todas as condicionantes sejam cumpridas. Dentre elas, ações e projetos na área de saneamento e meio ambiente para mitigar os impactos da construção da hidrelétrica no rio Xingu.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar