Pouco depois das 14h desta quarta-feira (10) foi retomado o julgamento de Francisco Moura Júnior, de 23 anos, e Paulo José Espírito Santo Costa, de 18 anos, acusados de assassinar o adolescente Patrick Botelho da Silva, de 16 anos, em fevereiro de 2012, no distrito de Mosqueiro, em Belém.
A sessão havia iniciado durante a manhã, com o depoimento das testemunhas de acusação, entre eles, dois menores de idade, uma diarista, a namorada da vítima, um técnico de enfermagem e um médico, os quais apresentaram suas versões do ocorrido. A sessão foi retomada com a vez da defesa apresentar suas testemunhas.
O julgamento passou por momentos de bastante discussão. Enquanto a Defesa pediu a anulação do depoimento de Wendel Freitas, enfermeiro que prestou atendimento à vítima, afirmando se tratar de falso testemunho, a Promotoria alegou que os depoimentos das testemunhas de defesa foram inconsistentes e contraditórios.
Após os depoimentos, a sessão entrou em pausa de 20 minutos, sendo reiniciada com o depoimento dos acusados. Eles assistiram à materiais jornalisticas referentes ao caso - exibidas na mídia local na época do crime - apresentadas tanto pela defesa como pela acusção. Após os vídeos, começou o interrogatório de Francisco Júnior, feito pelo juiz Edmar da Silva Pereira, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Belém e diretor do Fórum Criminal. Francisco negou a autoria do crime e afirmou que conheceu Patrick cerca de um ano antes do assassinato, mas nunca teve nenhuma desavença com a vítima.
Após o depoimento dele, será a vez de Paulo José ser interrogado. A previsão é de que o julgamento termine nesta quinta-feira (11).
Entenda o caso
Patrick morreu em fevereiro de 2012, em Mosqueiro. Antes de ser assassinado, ele foi espancado, possivelmente abusado sexualmente e esfaqueado. No corpo da vítima, a perícia encontrou três perfurações abdominais e três nas costas. Após o espancamento, ele ainda se arrastou por cerca de cinco metros.
Patrick foi encontrado totalmente sem roupas, por um segurança que escutou os seus gemidos. Ele estava com uma cueca tampando sua boca, a bermuda amarrando os pés e a camisa prendendo as mãos.
Patrick foi levado para o hospital do balneário, onde uma das enfermeiras de plantão era parente dele. Uma das facadas recebidas por Patrick foi visceral, o que fez o garoto perder muito sangue. Mesmo assim, o adolescente manteve-se lúcido grande parte do tempo. Na ambulância, reclamou de dores fortes antes de chegar. Ao pai, relatou a cor escura do veículo e possivelmente a placa com as iniciais JVK e repetiu várias vezes para o pai pegar os responsáveis.
Patrick sofreu três paradas cardíacas antes de entrar na sala de cirurgia. A perda de sangue fez com que sofresse o que na linguagem médica é chamado de choque hipovolêmico, quando o coração não tem mais sangue para bombear ao resto do corpo.
(DOL)
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