Calçadas irregulares, paralelepípedos soltos, falta de espaço e excesso de gente. Caminhar pelo centro comercial de Belém, em horário de grande movimento, exige atenção. É preciso olhar por onde se anda para não tropeçar em pequenos buracos abertos pelo desgaste natural das calçadas centenárias.
Estreitas, nelas o fluxo intenso de pedestres, muitas vezes, obriga quem está andando a desviar pela rua. Em certos trechos, são os ambulantes que impedem a passagem. Por conta dos problemas, para quem tem dificuldade de locomoção, a tarefa de ir de um ponto a outro do Comércio pode representar um grande desafio.
Ontem, o aposentado Emílio Corrêa, 76 anos, desceu do ônibus na Avenida Presidente Vargas e cruzou boa parte do Comércio até chegar ao Ver-o-Peso. Com artrose no joelho e auxiliado por muletas, o aposentado diz que só enfrentou a longa caminhada por necessidade. “Tem muito buraco no caminho. Esse esforço que a gente faz pra desviar acaba causando mais dor ainda. Só tô fazendo isso porque preciso comprar meu remédio”, diz o aposentado.
Na Praça Barão do Rio Branco, no Largo das Mercês, é visível a quantidade de paralelepípedos soltos e buracos na calçada do local.
O ambulante Cláudio Silva, 39 anos, há vinte trabalha empurrando seu carrinho de lanches pelas ruas do centro comercial. A maioria das calçadas, inadequadas para quem anda a pé, são um problema ainda maior para Cláudio. “O comércio é um dos cartões-postais da cidade. Merecia ser mais bem tratado. Os problemas não ficam só em um ou dois pontos, tem vários lugares que tão na mesma situação”, diz o vendedor.
Além de estreitos, os espaços destinados à circulação de pedestres são repletos de desníveis e obstáculos que não precisariam estar lá. Os ambulantes que deveriam ocupar locais apropriados continuam obstruindo calçadas em trechos de vias como a João Alfredo, por exemplo.
Um problema que seguirá sem data para ser resolvido, já que a inauguração do polêmico Shopping Popular João Alfredo, prevista para o próximo dia 22, mais uma vez, foi adiada.
Na Frutuoso Guimarães, entre Aristides Lobo e Manoel Barata, o problema não está nas calçadas e sim no meio da rua. Um buraco na pista, bem em frente a um ponto de táxi, faz o trânsito complicado ficar ainda mais lento na rua.
Segundo o taxista Emanuel da Costa, 35 anos, o buraco está lá há meses. “Colocaram um aterro pra tapar, mas, como passa muito carro, ele acaba cedendo. O risco que a gente corre é de o negócio abrir de vez e cair a roda de algum carro aí dentro”, comenta.
Secretarias garantem que vão resolver os problemas
Em nota, sobre o caso identificado pela reportagem na praça Barão do Rio Branco, a Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) informa que vai encaminhar uma equipe para verificar a situação e, dependendo da gravidade do problema, resolvê-lo de imediato. A Seurb informa ainda que até o momento tem feito pequenas intervenções nas praças de Belém, como pinturas e limpeza. A secretaria vai iniciar um trabalho de diagnóstico nas 241 praças da capital paraense, para então finalizar o orçamento necessário para o processo licitatório e garantir a revitalização destes espaços.
A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) informa que encaminhará uma equipe nesta sexta-feira,12, ao local indicado pela reportagem (Frutuoso Guimarães, entre Aristides Lobo e Manuel Barata) para fazer o levantamento dos serviços que se fizerem necessários e providenciar o reparo.
Já a situação dos ambulantes da João Alfredo e Campos Sales, a Secretaria Municipal de Economia (Secon) esclarece que está aguardando a liberação do prédio onde funcionará o Shopping Popular para remanejar os trabalhadores da área.
(Diário do Pará)
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