O mercado imobiliário de Belém está empolvorosa e a responsável é a Prefeitura da cidade. Vários órgãos da administração municipal estão em vias de mudar de endereço e procuram novas instalações. A mudança mais significativa será do próprio Gabinete do prefeito que hoje funciona no Antônio Lemos, o belo Palácio Azul do século XIX que fica em frente à Praça do Relógio. A prefeitura confirma a decisão de trocar de endereço. O Antônio Lemos estaria precisando de reformas urgentes.
A última foi realizada nos anos 90, na gestão do ex-governador Hélio Gueiros, responsável por retornar a sede do poder municipal para o local.
O endereço mais provável para abrigar o novo Gabinete é o prédio construído para ser um hotel na travessa Alferes Costa, com a avenida Duque de Caixas, no bairro do Marco.
O assunto, contudo, ainda está envolto em mistério. Embora confirme as negociações, a prefeitura não dá detalhes. Alega que ainda não há contrato fechado, mas as informações são de que as negociações estariam bem adiantadas.
A opção, porém, enfrenta resistências. Especialistas ouvidos pelo Diário explicam que o imóvel é “muito vertical”, com poucos elevadores, o que poderia causar problemas para abrigar órgãos que recebem fluxo grande de pessoas.
Além disso, para abrigar o gabinete e órgãos como a Comus (responsável pela comunicação) seriam necessárias reformas que podem durar meses.
Dentro da própria equipe de governo há pessoas encarregadas de tentar alternativas. Bem mais adiantado está o processo de mudança da Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub) que deixará o prédio na avenida Bernardo Sayão. A Amub também vai ocupar um edifício construído para ser usado como hotel: o Faraó que fica na avenida Júlio César. As negociações já teriam sido finalizadas, mas a diretora superintendente da Autarquia, Maisa Tobias informou, por meio da assessoria de imprensa, que só vai se manifestar após o contrato ser publicado no Diário Oficial. O assunto, informa ela, ainda será alvo de discussão da Câmara de Vereadores de Belém A mudança já deve ocorrer em maio.
Vereadores querem saber custos e se são necessários
As instalações atuais da Amub também ficam em uma área alugada e há pendências do aluguel de 2012. O órgão chegou a ser alvo de uma ação de despejo na gestão anterior. O valor do aluguel atual gira em torno de R$ 40 mil. O novo pode ficar até R$ 20 mil mais caro. A Amub argumenta que, embora pagando mais, o novo prédio oferece condições bem melhores. O pátio de veículos apreendidos ficará em área anexa ao hotel, com entrada pela avenida Centenário e terá 4 mil metros quadrados, mesmo tamanho do atual.
As mudanças não devem parar por ai. Em reunião geral do secretariado na semana passada, foi definido que os órgãos farão um levantamento de suas atuais instalações para avaliar a necessidade de mudança. Há informações de que outras secretarias podem também trocar de endereço.
A movimentação tem chamado a atenção dos vereadores da oposição. Fernando Carneiro do Psol, por exemplo, diz que vai formalizar pedido de informações. Ele afirma que, a princípio não é contra a saída do gabinete do Palácio Antônio Lemos. Defende que o local seja transformado em museu, o que aumentaria o acesso da população ao prédio hoje restrito a servidores públicos.
O vereador reclama, contudo, da falta de informações sobre o processo de mudança e negociações e os valores a serem gastos pelo erário. “É preciso saber qual a real necessidade e se é viável para evitar gastos desnecessários”, diz.
(Diário do Pará)
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