O estabelecimento de Herom Amaral Rocha, 44 anos, se destaca entre os demais na Feira da Pedreira, uma das mais movimentadas de Belém. O diferencial de longe já se perecebe. O quiosque tem estrutura de vidro, ar condicionado, equipamentos de inox e muita higiene. É assim que o batedor ganha notoriedade no ramo da venda de açaí. Quando iniciou suas vendas há mais de 30 anos, ele trabalhava com o mínimo necessário. “Tinha um quiosque de madeira, usava balde de plástico, manipulava o açaí de qualquer jeito”, lembra. Hoje ele se orgulha de trabalhar dentro dos padrões exigidos e de ser proprietário de um dos seis estabelecimentos de Belém que possui licença de funcionamento da Vigilância Sanitária.
As mudanças feitas por Herom começaram em 2005, quando o Programa Estadual de Qualidade do Açaí, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), foi implantado. De lá para cá, ele não parou de se atualizar e até já ministra aulas dentro do programa de Educação Continuada em Boas Práticas para Batedores de Açaí, desenvolvido pela Sespa em parceria com o Sebrae/PA, Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) e Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma).
O principal objetivo do programa é estabelecer procedimentos higiênico-sanitários para a manipulação e comercialização do produto, garantindo a qualidade por meio de fiscalização, inspeção, monitoramento e educação continuada nos diversos segmentos da cadeia produtiva. Através dele, o Departamento de Vigilância Sanitária da Sespa vem trabalhando incansavelmente na capacitação dos batedores de açaí, tanto na capital como no interior do Estado. “No ano passado atuamos em toda a região do Marajó. Este ano continuamos com a capacitação e no próximo dia 26, mais de 500 batedores receberão certificado de conclusão do curso”, explica a nutricionista Doriléa Pantoja, chefe da divisão de Controle de Qualidade de Alimentos da Sespa.
PROGRAMA DE FOMENTO
Com a chegada do período de entressafra, o preço do açaí comercializado em feiras livres e supermercados apresentou alta generalizada nos três primeiros meses do ano. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Pa), mostram que o litro de açaí médio apresentou alta de 45,27% em março deste ano, em relação aos preços praticados no mês de fevereiro. No balanço dos três primeiros meses do ano a alta registrada chegou a 80,14%.
Para tentar amenizar esta situação, a Secretaria de Estado de Agricultura (Sagri) vem fomentando pesquisas para o lançamento de novas cultivares precoces e adaptadas à terra firme, com alta produtividade. Em convênio firmado com a Embrapa, a secretaria já lançou a cutivar BRS Pará, uma alternativa de produção para a entressafra. Até o final deste ano, será lançada uma nova cultivar que está em desenvolvimento e que tem como principal característica maior rendimento de polpa e período de colheita no primeiro semestre, ou seja, na entressafra.
DICAS DE SEGURANÇA
Antes de comprar açaí o consumidor deve observar os seguintes itens no estabelecimento: se tem licença de funcionamento expedida pela Vigilância Sanitária; se os manipuladores usam uniforme e obedecem aos critérios de higiene; se no local há lavatório exclusivo pra higiene das mãos; se o açaí que está sendo processado passou por todas as etapas recomendadas pela Vigilância Sanitária e se a máquina de açaí está instalada embaixo de fonte luminosa, pois a lâmpada acesa pode atrair insetos.
(DOL, com informações da Agência Pará)
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