O câncer infantil é uma doença curável, mas alguns casos podem evoluir de forma a anular esta possibilidade, ou seja, quando o paciente não responde mais ao tratamento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 50% dos futuros pacientes com diagnóstico de câncer irão evoluir para este quadro clínico. Daí a importância da medicina paliativa, assistência voltada para ao conforto e qualidade de vida do doente.
Para atender os pacientes com câncer Fora das Possibilidades Terapêuticas Atuais (FPTA), o Hospital Ophir Loyola criou a Clínica de Cuidados Paliativos Oncológicos (CCPO) e o Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD). “Promovemos o controle de sinais e sintomas da doença em progressão. A meta principal é apoiar a construção de uma melhor qualidade de vida para cada esses pacientes”, explica a Coordenadora do SAD infantil do HOL, a pediatra Márcia Ribeiro.
A pequena Viviane Farias é um dos pacientes que recebem assistência em casa. Até os noves anos, ela ia à escola e adorava escrever. Mas fortes dores na cabeça interromperam essa rotina. Com o tempo vieram crises que a faziam perder os movimentos dos braços e pernas. A desconfiança de que algo estranho acontecia levou a avó, com quem reside no município de Marituba, Região Metropolitana de Belém, a buscar por exames mais complexos. A tomografia comprovou o diagnóstico indesejado e a biópsia revelou o neuroblastoma, um câncer no cérebro.
É impossível antever a ocorrência de câncer em crianças como acontece em adultos. Para os especialistas, ainda não há explicação para surgimento dos tumores infantis. “Meu mundo desabou. O médico recomendou que não a operássemos, pois ela morreria”, desabafa a avó Socorro Farias. Viviane passou por duas cirurgias, mas a ressecção do tumor foi parcial nos procedimentos. A localização não permitiu a retirada completa e o tumor continuou a crescer. “A radioterapia e a quimioterapia não alcançaram o efeito esperado. Não aceitamos mais o tratamento, a oncologista já havia nos explicado que não seria mais curativo, apenas paliativo”, recorda Socorro.
Hoje, Viviane está com sobrepeso devido ao uso prolongado de corticóide - medicamento utilizado para enxugar o edema causado pela tumoração. Os passos lentos, dificuldade na fala e de locomoção são acompanhados por um cronograma de visita médica. A menina recebe os cuidados de uma equipe multidisciplinar formada por pediatra, psicóloga, assistente social, nutricionista e conta com a contribuição de odontólogo e fonoaudiólogo.
DIAGNÓSTICO PRECOCE
Palidez, dores ósseas, manchas roxas pelo corpo, dores de cabeça, vômitos, alterações motoras e paralisia de nervos são alguns sintomas dos cânceres mais comuns em crianças: leucemias (doença maligna dos glóbulos brancos), tumores do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático), entre outros. Os sintomas parecem com os de doenças comuns na infância, logo a avaliação médica é crucial para um diagnóstico mais preciso.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 70% dos tumores malignos na infância são curáveis. Mesmo no caso dos tumores mais agressivos, a resposta ao tratamento costuma ser mais rápida do que a dos adultos. O índice de cura gira em torno de 80%, desde que o diagnóstico seja precoce e o tratamento iniciado nos centros especializados o mais rápido possível. Os oncologistas enfatizam que ao notarem qualquer anormalidade, os pais devem se apressar em levar os filhos ao pediatra.
(DOl, com informações da Agência Estado)
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