No sinal vermelho, por entre os carros, os vendedores correm para levar os produtos aos clientes sedentos. Basta um olhar mais atento para perceber braços estendidos pelas janelas e negócios fechados às pressas sob o sol forte. De água a refrigerante, a variedade é grande e as vendas, a cada dia, crescem mais. Passado o período de chuvas intensas dos três primeiros meses do ano, aos poucos, a capital paraense começa a esquentar. Entre a população, a mudança climática não passou despercebida. Para os que fazem da hidratação sua fonte de renda, o tempo é de lucrar.
Da barraca de coco de Anderson da Conceição, 34, localizada na Praça Brasil, saem até 150 frutos por dia. De acordo com ele, a expectativa é de que as vendas melhorem nas próximas semanas. “Realmente, começou a esquentar. Aqui, na praça, a gente ainda tem a vantagem de ser bem arborizado. Mas, quando tu sais da sombra, sentes logo o mormaço. É 100% de calor”, observa.
O motorista Luiz Pereira Ferreira, 53, lembra que o trânsito complicado de Belém fica ainda insuportável se o carro não tiver um opcional que, no clima da capital, se tornou quase item obrigatório. “Motorista dirigindo carro sem ar-condicionado é o mesmo que carpinteiro trabalhando sem fita métrica”, compara.
Carmelito de Souza, 74, há 12 anos empurra seu carrinho de picolé pelas ruas de Belém. O vendedor conta que o movimento está fraco, mas não culpa o clima pelo problema. “Calor é o que não falta, tem até de sobra. O que falta mesmo é o dinheiro no bolso do freguês”, conta rindo. De acordo com seu Carmelito, as vendas costumam aumentar entre as 11h30 e as 13h, período em que a temperatura sobe e os clientes ainda não almoçaram.
O farmacêutico Cesar Nascimento, 34, lembra que as variações bruscas de temperatura e o calor exagerado, além de desconforto, trazem problemas para a saúde. “O que mais tem saído na farmácia, esses tempos, é antigripal e anti-inflamatório. Esse clima quente e úmido acaba contribuindo para aumentar esses casos de viroses”, explica.
Fernando Lopes, 42, perito criminal, diz que prefere o calor ao frio, mas não abre mão de se manter hidratado. “Depois de tantos anos vivendo aqui, a gente acaba se acostumando com o clima quente da região. Eu sempre carrego comigo uma garrafinha de água que deixo no carro”, conta. Para o técnico de enfermagem Expedito Neto, 32, já é possível notar a quebra de alguns padrões no clima da cidade. “A gente percebe que aquela chuva das duas já não vem todo dia. É ela que ainda dá uma amenizada, mas tem dias que nem chove”, nota.
METEOROLOGIA
De acordo com o diretor do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet) no Pará, José Raimundo Abreu, os últimos dias foram quentes pela falta de cobertura de nuvens. “Estávamos com temperaturas entre 32ºC e 33°C, mas nos últimos dois dias as temperaturas estiveram acima da média. Chegamos a 34,15°C, a mais alta do mês, porque a cobertura de nuvens foi menor”, explicou.
Mas com o período de chuvas próximo de terminar podemos esperar que o clima continue quente. “Hoje (ontem), a temperatura foi menor, tivemos maior cobertura de nuvens ao meio-dia. Temos observado que raramente, nos últimos anos, a temperatura chega a 35°C, ficamos sempre em 34,15°C no máximo”, informou José Abreu.
(Diário do Pará)
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