Não é necessário esforço para ver. Mas a pressa com que se passa pela rodovia BR 316 talvez ajude a disfarçar o que está bem ali, diante dos olhos. Símbolos importantes se perdendo ante à ação do tempo. Na altura do município de Marituba, os símbolos representativos do país, estado e município são sobras do que um dia foram bandeiras. Em Benevides, o monumento em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek deixa exposto o abandono em que se transformou o que um dia fora tido como homenagem.
Hasteadas permanentemente logo à entrada da Alça Viária, as bandeiras do Brasil, Pará e do próprio município de Marituba estão em frangalhos. Difícil escolher a pior. Na do Estado, os rasgos se estendem até a altura da estrela azul que marca a metade do símbolo. Além da representação dos territórios, os dois principais times do Estado também estariam representados, “As bandeiras do Remo e Paysandu são as que mais sofrem. Tem quem tire, quem rasgue”, diz Wellington Souza, 26, vendedor de uma loja localizada muito próxima aos mastros onde hoje só se pode ver as sobras da bandeira bicolor, a azulina teria desaparecido há pelo menos um mês.
“É um descaso muito grande com as coisas da pátria. Bandeira é coisa sagrada, tem que ser respeitada. O certo seria hastear e retirar todo dia, como é feito na maioria dos locais. Se for pra ficar assim, melhor não tivesse nada”, opina o mecânico José Luiz Campos, 45.
Mais à frente, às proximidades do km 17 da rodovia BR 316, quem míngua é o monumento em homenagem a Juscelino Kubitschek. A face em alvenaria fixada ao muro da escola agrícola que leva o nome do ex-presidente do país vê de perto o desamparo. Com a pintura desgastada e cercada por mato, só é percebida por um olhar muito atento.
A imagem do presidente ficou no passado. “Sendo muito sincero, nunca tinha nem parado para pensar que fosse uma homenagem. Pra mim era no máximo uma máscara”, assume o estudante Gabriel Campos.
De acordo com Salim Sousa, vice diretor da escola agrícola, concluída em 1994 na gestão do ex governador Jader Barbalho, apesar da triste cena em que se encontra o monumento, o serviço de limpeza da área é feito regularmente, mas devido à grande área da escola e à reduzida mão de obra - apenas uma pessoa é responsável por toda a retirada do mato do terreno da escola – o problema acaba se repetindo.
Sobre a possibilidade de qualquer serviço de revitalização da obra de homenagem, ele informou que há um projeto, mas ainda sem previsão de começo. ”A gente reconhece a importância do monumento, temos um projeto de revitalização idealizado pelo professor de artes, mas como se trata de uma iniciativa própria, ainda não há data para inicio”, declarou.
A reportagem tentou contato com a prefeitura de Marituba para apurar a responsabilidade sobre as bandeiras em péssimo estado de conservação, mas ninguém foi localizado para falar.
(Diário do Pará)
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