Eles não precisaram de muito para orgulhar. Sozinhos ou em grupo reuniram forças em prol de um ideal e não perderam tempo. Homens e mulheres. Jovens e velhos. Mais ricos ou mais pobres. Pessoas comuns que mostraram ao mundo a força que o Pará carrega, deixando para traz um rastro de solidariedade, justiça e tolerância. Valores humanos que desde o segundo semestre do ano passado ganharam destaque nas páginas do jornal DIÁRIO DO PARÁ e na tela da RBATV através da continuidade do projeto “Orgulho de Ser do Pará”.
“Chegamos ao fim do terceiro ano do projeto celebrando uma fase em que o destaque foram as pessoas. O projeto [Orgulho de Ser do Pará] evoluiu sem se afastar da essência da proposta inicial, que é a valorização das riquezas do nosso Estado e nossa maior riqueza é o povo paraense. Nós apenas mostramos como essa gente consegue pessoalmente contribuir para a melhoria do Estado, da cidade e da comunidade da qual faz parte. A expectativa é que a partir daqui surjam outros agentes multiplicadores”, justificou o diretor-presidente do DIÁRIO DO PARÁ, Jader Barbalho Filho, em balanço da última etapa da série.
Após abordar a formação étnica, as manifestações artísticas, religiosas e culturais, a gastronomia e a literatura, além dos produtos de exportação do Pará, a série chegou a última fase do terceiro ano valorizando quem de fato move a construção de um Estado de valor. De março a abril, durante 21 dias, iniciativas individuais e institucionais que mostravam exemplos de cidadania, educação e esperança foram apresentadas ao público. Ao final, em festa de premiação realizada na última quinta-feira na casa de eventos Usina 265, cinco delas foram destacadas como vencedoras dos Prêmios “Cidadão Orgulho Individual”, “Cidadão Orgulho Institucional” e “Superação”. Os nomes foram selecionados por um corpo de jurados formado por agentes atuantes do terceiro setor e representantes dos patrocinadores do projeto – Banco da Amazônia, Esamaz, Grupo Mônaco, Governo do Pará, Marko Engenharia, Vale e Vivo.
Mais que homenagem e reconhecimento pelas iniciativas, o ‘Agentes do Bem’, como foi intitulada essa fase, previa a multiplicação dos ideais que norteiam ações simples que podem acontecer em qualquer lugar. Dentro de casa, no trabalho, no próprio bairro ou em áreas mais longínquas. “Desde quando as matérias saíram no jornal e na TV meu telefone não parou mais. Agora tenho seis chips (de telefone celular). Estão aparecendo pessoas de todos os lugares se dispondo a ajudar. Isso foi o melhor desse prêmio: mostrar e estimular uma característica que é tão nata ao paraense, o prazer de ajudar ao próximo”, destacou Manoel Borges, diretor presidente, da ONG Vitória Régia, vencedora, ao lado da Trupe Pró-Cura, da categoria individual do Prêmio Cidadão Orgulho pela iniciativa que hoje reúne 25 voluntários que lutam pela saúde bucal de crianças e adolescentes no bairro da Cabanagem, periferia de Belém.
“Em um trabalho social que conta com pouco ou nenhum apoio governamental, é normal às vezes a gente se sentir meio pra baixo. Era exatamente como nós [Gempac] estávamos quando fomos procurados pelas reportagens. As matérias e essa homenagem nos deram uma nova injeção de ânimo para continuar na luta que é diária e não pode parar”, lembrou a coordenadora do Grupo de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará, Lourdes Barreto, pioneira na luta por respeito e dignidade à categoria, que também figurava na seleção. “Todo mundo tem suas coisas e seus problemas pessoais para se preocupar. Mas o mundo só se faz melhor quando a gente consegue dedicar, em menor ou maior escala, uma parte do nosso tempo para o outro, e é isso o que motiva a querer seguir em frente”, refletiu a coordenadora, que assim como todos os demais participantes foi homenageada com menção honrosa pelo trabalho prestado à sociedade.
Certificado exibido como verdadeiro troféu por Reinaldo Alberto Gonçalves do Nascimento, do Pará Break Sport, um projeto sociocultural desenvolvido há quatro anos em comunidades dos bairros da Terra Firme e Guamá visando o resgate de crianças e adolescentes em situação de risco. “Esse é o primeiro prêmio da minha vida e pra gente que lida com uma área tão carente representa muito mais que uma homenagem. É um reconhecimento que nem todo mundo dá”, destacou Reinaldo.
Vencedor do Prêmio Cidadão Orgulho Institucional, pelo Centro Nova Vida, instituição filantrópica sem fins lucrativos que presta atendimento a pessoas portadoras de dependência química, Luiz Veiga, não escondeu a emoção ao falar da premiação. “É o Orgulho de Ser do Pará e isso nos deixa realmente muito orgulhosos do Estado que temos e fazemos. Esse é um reconhecimento, mas também um recomeço para nossa equipe”, afirmou Veiga, que dividiu o prêmio com padre Bruno Sechi, do Movimento República de Emaús, entidade nascida há 40 anos como exemplo de ação solidária e que hoje é uma das maiores referências nacionais em atenção a jovens e crianças.
(Diário do Pará)
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