Uma rede para atender moradores de rua que se encontram em situação de abandono pelo Poder Público, em Belém e Região Metropolitana. É o que propõe o Ministério Público do Estado para tentar minimizar o problema na capital. O MPE também propôs a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para tentar resolver o problema, que cada vez mais faz parte do cenário da cidade.
No último dia 11, promotores, órgãos estaduais e municipais acordaram ainda que, em dois meses, devem ser apresentados os primeiros resultados do programa “Consultórios de rua”, que leva atendimento médico aos moradores de rua.
De acordo com a promotora dos Direitos da Pessoa Idosa e Deficientes, Maria da Penha Buchacra, a proposta do Termo de Ajuste de Conduta (TAC) surgiu em janeiro, após o MPE detectar a ausência do Poder Público no atendimento aos moradores de rua. “Começamos a atuar administrativamente no caso e convocamos os órgãos que apresentaram este projeto e pediram um prazo para apresentar os primeiros resultados”, destacou a promotora. Para ela, o problema deve ser resolvido de maneira interdisciplinar, para que eles também tenham assistência social, saúde, educação e habitação.
NAS RUAS
Não é difícil encontrar um sem-teto transitando pelas ruas da cidade, principalmente quando se está no centro comercial de Belém. Ontem à tarde, por exemplo, o morador de rua conhecido apenas pelo nome de Silvestre passou horas deitado na escadaria, atrás das barracas de alimentação no Ver-o-Peso.
Visivelmente alcoolizado, o rapaz estava descalço e sem camisa. A garçonete Samanta Santos comentou que Silvestre é um dos moradores de rua mais conhecidos do local, mas nunca se teve notícia de que algum familiar chegou a procurar por ele. No bairro do Reduto, mais precisamente na Praça General Magalhães, também se concentra um grupo de sem-teto que se abrigam em casarões antigos ou até mesmo na calçada, em barracas improvisadas.
Na última quarta-feira (24), o DIÁRIO flagrou uma mulher nua na Praça da República, às 9h20, em pleno dia da semana na movimentada via do comércio da cidade.
De acordo com o coordenador do Departamento de Ações e Saúde da Sesma, Márcio Nascimento, o programa ‘Consultórios de rua’ também terá a finalidade de fazer um levantamento para identificar o morador de rua de Belém. “Nós já iniciamos os trabalhos, entre os dias 9 e 16 deste mês, com uma ação na Praça da Relógio. Na próxima semana, iremos fazer o mutirão na Praça dos Estivadores”, atentou Márcio.
Os agentes verificam a pressão arterial, fazem teste de glicemia e testes rápidos para o HIV/Aids. Até então, quatro moradores de rua receberam o teste positivo para HIV e foram encaminhados para a Casa Dia. Outros dez foram encaminhados para o Pronto-socorro e para Centros de Assistência Psicossocial (Caps).
(Diário do Pará)
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