O movimento na Central de Atendimento ao Eleitor (CAE), no bairro da Pedreira, em Belém, foi intenso durante todo o expediente de ontem, último dia para o eleitor regularizar a situação junto à Justiça Eleitoral. Quem não votou e nem justificou a falta nas últimas três eleições teve até ontem para evitar o cancelamento do documento.
De acordo com a supervisora da CAE, Luciana Souza, a justiça eleitoral no Pará desde o início da campanha registrou um aumento na demanda dos eleitores que acabou se intensificando na última semana, quando os atendimentos, realizados apenas no prédio da travessa Pirajá, saltaram de 200 para 600 por dia. “A campanha acaba chamando muita gente que não necessariamente se enquadra na situação de regularização. De todo o universo de atendimentos, apenas 20% corresponde à regularização. Infelizmente, a maioria terá o título cancelado”, analisou Luciana.
Até a última segunda feira, 4,6% dos cerca de 96 mil eleitores paraenses que estão pendentes junto à Justiça Eleitoral, tinham buscado a regularização nos cartórios eleitorais. Na manhã de ontem, o número tinha subido para 4,9 %.
O mestre de obra Admilson da Costa, 43, fez o percentual aumentar um pouco mais. Há três eleições sem votar, ele não podia mais adiar a regularização. ‘Eu deixei de votar três vezes e tive problema com o meu CPF, uma dor de cabeça danada. Vou resolver o problema agora e não deixar de votar nunca mais”, comprometeu-se o trabalhador da construção civil.
Sem votar em virtude da mudança de domicílio, Maria Helena Rosas, também precisou enfrentar a fila para garantir o direito ao voto nas próximas eleições. “Eu me mudei do interior pra cá e fui deixando as coisas passarem. Quando vi estava nessa situação. Vou pagar a multa e voltar. Só saio daqui com meu título nas mãos”, afirmou.
Entre 10 e 12 de maio, o sistema da Justiça Eleitoral efetivará o cancelamento dos títulos não regularizados. Quem estiver com o documento irregular poderá ser impedido de obter passaporte, CPF, carteira de identidade, receber salários de função ou emprego público e obter certos tipos de empréstimos e inscrições públicas, entre outros problemas. “A orientação da Justiça eleitoral é para que se evite o cancelamento para não sofrer esses inconvenientes. Ainda assim, após o dia 12, o eleitor que tiver o título cancelado pode pedir o restabelecimento do documento, o risco, entretanto, é ter qualquer problema antes desse período”, alertou a supervisora da CAE.
O atendimento a quem deixou de votar, ou justificar, por menos de três vezes ou que necessita fazer alterações no cadastro eleitoral continua normal até abril do ano que vem.
(Diário do Pará)
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