Uma mulher, identificada apenas como Deise, morreu em razão de politraumatismo e outras sete pessoas, incluindo duas crianças, ficaram feridas na manhã de ontem após a queda de um avião de pequeno porte da empresa de táxi aéreo “Brabo”, prefixo PR-JLI, no Complexo Viário da Júlio César, em Belém. As vítimas vinham do município de Chaves, na Ilha do Marajó.
A frente do avião ficou totalmente destruída. Pedaços ficaram espalhados no asfalto. A barra de proteção da avenida foi arrancada, mas evitou que a aeronave se chocasse contra os veículos que passavam pelo local.
Socorridos pelo Corpo de Bombeiros Militar (BM), todos foram encaminhados para Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), incluindo o piloto, que apresentava estar em estado mais grave, com o braço direito amputado e traumatismos na face e no crânio. Estão também entre os feridos um menino de um ano, filho da vítima fatal; Juliane Silva de Lima, que levava seu bebê de quatro meses no colo; Dirce Ferreira Furtado; Ana Maria Silva Cavalcante; e o vereador de Chaves, Angelino Augusto Cardoso Lobato (PMDB), que teve traumatismo no tórax.
POUSO FORÇADO
Segundo o major BM Marlon Francês, do Grupamento Aéreo de Segurança Pública do Pará, “o pouso estava previsto para acontecer na pista ‘três quatro’ mas, devido o padrão do vento, a torre de controle orientou o piloto a fazer o pouso na pista ‘uno meia’”. Durante o intervalo dessa mudança, teria ocorrido o acidente. “Já durante o circuito para pouso teria ocorrido algum tipo de pane, o que teria obrigado o piloto a realizar um pouso forçado”.
Conforme o Corpo de Bombeiros, o avião teria capacidade para seis pessoas, incluindo o piloto, mas não sofria de excesso de passageiros, pois as duas crianças eram muito pequenas e levadas no colo de suas respectivas mães. O coronel BM Reis achou estranha a manobra feita pelo piloto. “Ela parecia totalmente contrária a que normalmente é feita”. Equipe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) e do Instituo Médico Legal (IML) foram acionadas e ficarão responsáveis por realizar a perícia do acidente.
A vítima fatal já chegou morta ao hospital, segundo Thomas Rodrigues, médico do Hospital Metropolitano. “As outras três mulheres chegaram conscientes e com um quadro estável, porém, devem permanecer em observação aqui mesmo. As duas crianças são do sexo masculino, um deles está em estado mais grave que o outro, com traumatismo no crânio”.
BOLETIM
Um boletim médico sobre o estado de saúde das vítimas, divulgado pelo Hospital Metropolitano, às 18h, informou que as sete vítimas que sobreviveram ao acidente estavamcom “quadro clínico estáveis”.
Sem citar nomes, o boletim informa que um paciente do sexo masculino, com trauma torácico (vereador), foi operado “com sucesso” e se encontra “estável” na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Outro paciente do sexo masculino, “com trauma de face e membro superior”, (piloto), até aquela hora continuava “em procedimento cirúrgico”. Continuavam internadas ainda três pacientes do sexo feminino “em observação médica com quadro clínico estável” e duas crianças de colo: uma com quadro clínico estável, mas em observação pela equipe de Pediatria e outra internada na UTI em “estado clínico estável”. Um novo boletim será divulgado, hoje, às 11h.
ABALADO
Francisco Brabo, irmão do dono da empresa, Getúlio Pinho Brabo, disse que a empresa estava acostumada a realizar esta mesma rota. A esposa de Getúlio informou, em contato telefônico feito para a casa dele, ontem à noite, que o marido estava abalado, tinha sido medicado e estava recolhido. A empresa está em situação regular junto a Agência Nacional de Aviação Civil. A autorização da empresa é válida até o dia 11 de julho deste ano.
RESGATE
“Nós ouvimos as pessoas gritando: ‘Um avião caiu, um avião caiu!’ e começamos a nos dirigir para cá”, contou o tenente BM Torres, que estava com vários colegas em uma formatura no Comando Geral do Corpo de Bombeiros, localizado na avenida Pedro Álvares Cabral, em frente ao elevado onde ocorreu o acidente. “Acredito que eles ainda tiveram muita sorte. Por coincidência, na mesma hora, passava uma ambulância de resgate pela Júlio César e já veio direto, socorrendo a mulher (Deise) e as duas crianças”.
Foram utilizadas quatro ambulâncias de resgate. O local ficou isolado pela Polícia Militar, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros por cerca de três horas. A principal dificuldade ocorreu durante a retirada do piloto. “Ele estava preso às ferragens, era o que aparentava estar em estado mais grave. E ainda houve a preocupação com o vazamento de combustível”, relatou o coronel BM Reis. Várias pessoas se aproximaram para ajudar a retirar as vítimas do acidente.
O gari Valter Silva Barbosa, que trabalhava próximo, no momento do acidente, contou que chegou a carregar as duas crianças. “Eu só ouvi um barulho muito alto e, quando olhei, o avião já estava no chão. Saí correndo com outras pessoas para tentar ajudar, vi uma mulher tentando proteger com o corpo o bebê que ela levava nos braços, ela pediu para a gente levar ele. Depois já vimos a outra criança, presa na parte de trás. O piloto estava com o rosto no painel do avião. Foi a pior cena que já vi na minha vida, mas me sinto muito emocionado de ter ajudado as crianças”.
TRÂNSITO
O acidente causou grande confusão no trânsito das avenidas que dão acesso ao Complexo Viário da Júlio César. Mesmo após a retirada do avião, agentes da Autarquia de Mobilidade Urbana (Amub) permaneceram nas avenidas Pedro Álvares Cabral e Júlio César para orientar o trânsito. Ainda assim, houve pelo menos um acidente.
Carlos Eduardo Livramento Santos, de 31 anos, foi atropelado no instante em que o avião caía na área verde do Elevado. O motorista de um caminhão teria se assustado com o avião em queda e perdeu a atenção no trânsito. “Nesse susto, ele não viu o meu marido, que saía de casa para trabalhar, e o atropelou. Eu não sabia com o que eu ficava mais assustada”, relatou a esposa de Carlos Eduardo.
(Diário do Pará)
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