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Indígenas continuam a ocupar prédio

Povos indígenas de, pelo menos, cinco etnias continuam a ocupar o prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena de Belém (Dsei Guamá – Tocantins), em Belém. Desde a último dia 22, os manifestantes tentam diálogo, sem sucesso, com a coordenadora da Secret

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Povos indígenas de, pelo menos, cinco etnias continuam a ocupar o prédio do Distrito Sanitário Especial Indígena de Belém (Dsei Guamá – Tocantins), em Belém. Desde a último dia 22, os manifestantes tentam diálogo, sem sucesso, com a coordenadora da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Danielle Soares Cavalcanti.

Pela manhã, cerca de 70 indígenas ocupavam a sede. Dois ônibus, trazendo mais indígenas das tribos Kriykategê, Assurini e Tembé estavam previstos para chegar no final da noite de ontem. As atividades no prédio continuam a funcionar normalmente, mas a coordenadora não se encontra no local. A principal reivindicação diz respeito a melhorias para a área da saúde nas aldeias. O Ministério Público Federal (MPF) já declarou apoio aos índios e acompanha o caso.

O Dsei é ligado à Sesai, que faz parte do Ministério da Saúde, e funciona como gestor de políticas públicas de assistência e saúde. “Os carros que fazem atendimento são de 2009. A empresa que faz a manutenção deles está com quatro meses de pagamento atrasados. Eles dizem que não podem fazer nada, já que o dinheiro não chega. Quando é caso grave na aldeia, como picada de cobra, a gente tem que pedir carona ou transportar as pessoas de moto. Um absurdo”, denuncia o cacique Piná Tembé.

Os Tembé, por conta da proximidade das aldeias, estão em maior número no Dsei. No entanto, outras etnias, como Mundurucu e Assurini, também apoiam o movimento.

Entre as demandas dos indígenas estão o suprimento correto de medicamentos de alta e média complexidade - cuja entrega estaria atrasada sete meses-, e a garantia de especialidades médicas para todas as aldeias. Segundo os índios, os medicamentos de baixa complexidade não atendem às necessidades e estão chegando às aldeias com validade praticamente vencida. Além disso, os manifestantes pedem o afastamento de Danielle do órgão.

APOIO

Para se alimentar, se vestir e suprir suas necessidades básicas, os indígenas contam com apoio de entidades como a Assembleia de Deus e de servidores voluntários de instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade do Estado do Pará (Uepa). “Nós só estamos aqui porque não temos onde ficar. Já fomos à Polícia Federal e deixamos claro que nós não estamos mantendo ninguém preso ou impedido de trabalhar. Qualquer um pode entrar e sair a hora que quiser”, diz Piná Tembé.

A coordenadora não estava no órgão para comentar as reivindicações. Um funcionário, que prefere não se identificar, confirmou a denúncia feita pelo cacique.

O secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves de Souza, se comprometeu em reunir-se com as lideranças indígenas. Caso haja incompatibilidade na agenda do secretário hoje, já foram prometidas oito passagens áreas para discutir o assunto em Brasília nesta quarta-feira. O DIÁRIO tentou contato com a coordenadora da Sesai, mas não obteve retorno.

(Diário do Pará)

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