A pedido da coordenação da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), peritos da Polícia Federal (PF) realizaram, na tarde de ontem, uma vistoria no prédio da Sesai, em Belém, ocupado durante uma semana por indígenas de diversas etnias que reivindicavam melhorias na área da saúde.
Na inspeção, os peritos teriam encontrado sinais de violação no prédio, como armários arrombados, paredes riscadas, computadores quebrados e equipamentos que teriam sido destruídos. “E o pior de tudo foi a violação de documentos públicos, que foram rasgados ou simplesmente sumiram dos nossos arquivos”, afirmou Danielle Cavalcante, coordenadora do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei).
O prédio foi ocupado no dia 22 de abril por indígenas que protestavam contra a falta de medicamentos e de especialidades médicas para as aldeias. Segundo o cacique Neto Tembé, a ocupação tinha dois principais objetivos. Exigir a saída da coordenadora do Dsei Guamá-Tocantins, Danielle Cavalcante, com que eles diziam que não conseguiam negociar, e denunciar os problemas enfrentados pelos indígenas na área de saúde.
A coordenação da Sesai informou ainda que devido às violações, o prédio deve passar por reformas, mas o atendimento ao público já será retomado a partir de hoje. Os resultados da perícia serão encaminhados para um inquérito presidido pela PF.
O cacique Neto Tembé afirmou que representantes da Sesai, vindos de Brasília, abandonaram a reunião em que eles discutiam as suas reivindicações, junto com o procurador do Ministério Público Federal (MPF), Felício Pontes Jr., na última terça-feira (30). “Eles deixaram a gente falando só”.
Sobre a acusação de depredação do prédio, o cacique informou que os índios se reúnem hoje, às 10h, com o procurador, na sede do MPF, onde também será discutida esta acusação. “Lá, vamos ter uma posição de como as coisas vão ficar”.
(Diário do Pará)
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